A líbero Léia Silva anunciou oficialmente sua aposentadoria do vôlei profissional aos 41 anos de idade. Com uma trajetória de quase duas décadas nas quadras, a jogadora natural de Ibitinga (SP) encerra o ciclo esportivo após defender o Sesi Bauru e acumular passagens vitoriosas pela Seleção Brasileira Feminina de Vôlei.
No currículo, a atleta soma quatro títulos da Superliga, sete edições do Campeonato Sul-Americano de Clubes e três troféus da Copa Brasil. Pela seleção nacional, Léia Silva conquistou o vice-campeonato mundial, consolidando-se como uma das principais referências da posição no país sob a chancela da Federação Internacional de Voleibol.
Início e superação no interior paulista
A caminhada de Léia Silva no esporte começou de forma despretensiosa em sua cidade natal, motivada pela disciplina e pela necessidade de auxiliar financeiramente sua família. Após enfrentar negativas em testes iniciais conduzidos pelo técnico Roberto, a atleta encontrou sua primeira oportunidade profissional em Piracicaba.
Durante o início da carreira, a jogadora enfrentou desafios logísticos e financeiros, contando com o apoio de treinadores para se manter em outras cidades. Após se destacar no interior, Léia Silva transferiu-se para o Banespa, em São Paulo, onde trabalhou com Henrique Modenesi, profissional que reencontraria anos depois no Sesi Bauru.
O auge e a Seleção Brasileira
A líbero passou por clubes tradicionais como Mackenzie, Osasco e Pinheiros, onde conquistou a Copa Brasil de 2015. No entanto, foi no Minas Tênis Clube que Léia Silva viveu o auge técnico de sua carreira, acumulando a maioria de seus títulos de Superliga e torneios continentais.
O desempenho em Belo Horizonte rendeu a convocação para a Seleção Brasileira, momento que a atleta descreve como uma sensação inexplicável.
“Você vestir a camisa, você representar o país todo”
, relembrou a jogadora sobre a experiência de servir ao time nacional.
Reta final no Sesi Bauru e superação pessoal
O desejo de atuar próximo à família motivou o acerto com o Sesi Bauru na reta final da carreira. No clube paulista, Léia Silva conquistou títulos estaduais e disputou finais nacionais, além de vivenciar a emoção de ter seus familiares presentes nas arquibancadas de forma regular.
O período em Bauru também foi marcado pelo momento mais difícil de sua vida pessoal: o falecimento de seu pai, Jaime, durante os playoffs da Superliga. Mesmo em luto, a atleta optou por disputar a partida decisiva contra o Fluminense, sendo eleita a melhor em quadra.
“Já perdi meu pai, não posso perder isso aqui”
, afirmou a líbero na ocasião.
Em sua última temporada, Léia Silva liderou o Sesi Bauru na conquista invicta do Campeonato Paulista e na garantia de uma vaga inédita no Mundial de Clubes através do Sul-Americano. Ao oficializar a despedida, a atleta definiu o momento como um processo de transição necessário.
“Lógico que eu estou sofrendo. Eu gosto da minha rotina, mas é um sofrer diferente, um sofrer em paz”
, concluiu.
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