O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu nesta quarta-feira (20) que a decisão sobre a jornada de trabalho deve caber ao cidadão. Durante a sabatina de presidenciáveis na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, o político manifestou posição contrária à imposição de modelos rígidos pelo governo federal.
Para Caiado, o modelo ideal de trabalho envolve a negociação direta entre empregados e patrões para definir as cargas horárias semanais.
“É isso que o jovem quer. Trabalhar sem que haja rigidez. Isso é uma opção pessoal, isso não pode ser imposto ao governo federal a nenhum de nós”
, afirmou o governador durante o evento.
Divergências no Executivo
O debate sobre o fim da escala 6×1 também recebeu comentários recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em discurso no Enic (Encontro Internacional da Indústria da Construção), o chefe do Executivo sinalizou apoio à redução da jornada, mas garantiu que o governo não pretende impor as mudanças de forma abrupta.
Lula destacou que a transição deve respeitar as particularidades de cada setor econômico. O presidente argumentou que a sociedade atual demanda mais tempo livre, entretanto, ponderou que a aplicação da nova jornada deve levar em conta a especificidade de cada categoria profissional, sem ser feita “na marra”.
Tramitação Legislativa
A proposta que visa reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial, segue em discussão no Legislativo. O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), adiou a entrega do seu parecer na Câmara dos Deputados, que estava prevista para esta quarta-feira.
Após reunião com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), Prates informou que o relatório deve ser apresentado na próxima segunda-feira (25). O principal impasse entre governo e oposição reside no tempo de transição: enquanto a base governista defende a aplicação imediata, a oposição pleiteia um prazo de adaptação de até quatro anos para o setor produtivo.
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