O ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) já aparece entre os nomes considerados para integrar o primeiro escalão de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A possibilidade ganhou repercussão nacional nesta quarta-feira (21), após reportagem da Folha de S.Paulo, assinada pela jornalista Alexa Salomão, revelar as articulações políticas e empresariais para a composição de ministérios caso o candidato do PL vença o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
Mendes é cotado para dois dos ministérios mais estratégicos da administração federal: Agricultura e Pecuária e Minas e Energia. Sua eventual nomeação também produziria um importante movimento político em Mato Grosso, com a possibilidade de o empresário e ex-senador Cidinho Santos (PP), primeiro suplente de Mendes, assumir sua cadeira no Senado Federal.
A informação foi repercutida pelo portal MidiaNews e coloca Mato Grosso no centro das discussões sobre a formação de um eventual novo governo federal.
A presença de Mauro Mendes nas articulações nacionais representa mais um capítulo de sua trajetória política, agora com a possibilidade de trocar o mandato de senador, conquistado nas eleições de outubro, por uma posição de destaque na Esplanada dos Ministérios.
FORÇA POLÍTICA E EXPERIÊNCIA ADMINISTRATIVA
Ex-prefeito de Cuiabá e ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes construiu sua trajetória administrativa com ênfase no equilíbrio das contas públicas, investimentos em infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento econômico.
Durante sua gestão estadual, projetos como a duplicação da BR-163, por meio da Nova Rota do Oeste, os investimentos em rodovias e pontes, a construção de hospitais regionais e a reorganização fiscal contribuíram para fortalecer sua imagem política.
Esse histórico administrativo, aliado à relação com o setor produtivo e à sua recente vitória nas urnas, constitui parte do capital político que Mendes leva para as articulações em Brasília.
Para o Ministério de Minas e Energia, a reportagem destaca uma característica técnica do ex-governador: Mauro Mendes é engenheiro eletricista por formação e mantém interlocução com empresas do setor de biocombustíveis.
Já na Agricultura, o mato-grossense aparece em uma relação de nomes que inclui importantes lideranças nacionais do agronegócio.
Entre os cotados estão o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e apontado como favorito, o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja, o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, e o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS).
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, também aparece nas discussões, embora seu nome seja considerado para a composição de forças no Senado.
CIDINHO SANTOS PODE VOLTAR AO SENADO
Um dos aspectos de maior repercussão para Mato Grosso envolve o empresário e ex-senador Cidinho Santos, primeiro suplente de Mauro Mendes.
Segundo a reportagem, a eventual ida de Mendes para um ministério abriria caminho para Cidinho assumir a cadeira no Senado durante o afastamento do titular.
Cidinho possui proximidade com a família Bolsonaro e participou das articulações políticas e empresariais de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso.
Com forte atuação empresarial e trânsito político, Cidinho já exerceu mandato no Senado e mantém relações com diferentes setores da economia brasileira.
A articulação permitiria uma configuração política de grande relevância para Mato Grosso: Mauro Mendes ocupando um ministério de peso nacional e Cidinho Santos exercendo o mandato de senador da República.
O movimento, caso se concretize, ampliaria os espaços institucionais ocupados por representantes do estado em Brasília.
DISPUTA POR MINAS E ENERGIA TEM OUTROS NOMES DE PESO
Apesar da presença de Mauro Mendes nas articulações, a disputa pelo Ministério de Minas e Energia envolve outros nomes considerados competitivos.
De acordo com a Folha de S.Paulo, Adriano Pires, coordenador da área energética no programa de governo de Flávio Bolsonaro, ganhou força nos bastidores.
Pires já havia sido indicado à presidência da Petrobras em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, mas não assumiu após questionamentos relacionados a possíveis conflitos de interesses e à sua atuação em consultoria privada.
Outro nome mencionado é o de André Pepitone, executivo que ocupou a diretoria financeira de Itaipu durante os governos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
A existência de diferentes candidatos demonstra que as negociações permanecem abertas e não há definição sobre quem comandaria a pasta em um eventual governo do PL.
AGRONEGÓCIO QUER AMPLIAR INFLUÊNCIA NO GOVERNO
A reportagem nacional também revela uma ampla movimentação do agronegócio para conquistar espaço em diferentes ministérios.
Além da Agricultura e de Minas e Energia, representantes do setor buscam influência sobre o Ministério do Meio Ambiente, considerado estratégico para discussões envolvendo licenciamento ambiental, exploração de recursos naturais e transição energética.
Entre os nomes mencionados estão o deputado federal Zé Vitor (PL-MG), o ex-ministro Joaquim Leite e o também ex-ministro Ricardo Salles.
O objetivo das lideranças do setor produtivo é ampliar sua participação nas decisões estratégicas de um eventual governo Flávio Bolsonaro, especialmente em áreas diretamente relacionadas à produção agropecuária e ao desenvolvimento econômico.
DISPUTA PELO COMANDO DO SENADO TAMBÉM ENTRA NAS NEGOCIAÇÕES
As articulações não se limitam à Esplanada dos Ministérios.
Segundo a Folha de S.Paulo, o PL e seus aliados também discutem a futura composição de forças no Congresso Nacional.
A legenda elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com uma bancada de 28 integrantes, conforme os números apresentados pela reportagem.
O fortalecimento da sigla alimenta a expectativa de uma disputa pela presidência do Senado, atualmente comandado por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Entre os nomes envolvidos nas conversas estão Tereza Cristina, Arthur Lira (PP-AL) e Rogério Marinho (PL-RN).
Marinho, coordenador político da campanha de Flávio Bolsonaro, também aparece como possível ministro da Casa Civil.
O desenho político em discussão envolve, portanto, não apenas a distribuição de ministérios, mas também a construção de uma base de sustentação parlamentar para um eventual governo.
FLÁVIO ESTUDA REDUZIR MINISTÉRIOS E CRIAR PASTA DA PROSPERIDADE
Outra informação revelada pela reportagem envolve a possibilidade de uma ampla reorganização administrativa.
A proposta discutida por integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro prevê a redução do número de ministérios, atualmente em 38, para uma estrutura que poderia contar com 25 ou 27 pastas.
Entre as mudanças cogitadas está a reunificação dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos em uma estrutura voltada à infraestrutura.
Também existe a possibilidade de maior integração entre Fazenda e Planejamento.
Uma das principais novidades seria a criação do Ministério da Prosperidade, considerado um possível superministério destinado a reunir políticas de assistência social, empreendedorismo, qualificação profissional e geração de oportunidades econômicas.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques aparece como possível responsável pela nova estrutura.
A proposta incluiria a integração de áreas atualmente vinculadas ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e ao Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
A intenção, segundo a reportagem, seria criar mecanismos para que beneficiários de programas sociais tenham mais oportunidades de ingresso no mercado formal de trabalho e de abertura de pequenos negócios.
As discussões também consideram os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho nos próximos anos.
MAURO MENDES PODE GANHAR NOVO PROTAGONISMO NACIONAL
Para Mato Grosso, a inclusão de Mauro Mendes entre os possíveis ministros representa um movimento político relevante.
Depois de comandar o Executivo estadual e conquistar uma cadeira no Senado, o ex-governador passa a figurar nas discussões sobre posições de influência na administração federal.
Sua eventual presença no Ministério da Agricultura ou no Ministério de Minas e Energia colocaria um representante de Mato Grosso à frente de políticas públicas diretamente relacionadas aos principais setores econômicos do estado.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de Cidinho Santos assumir o mandato no Senado criaria uma nova configuração de representação política mato-grossense em Brasília.
Entretanto, é importante destacar que as indicações ainda são especulações de bastidores, não existem nomeações confirmadas e qualquer composição dependerá do resultado do segundo turno presidencial.
A própria reportagem da Folha de S.Paulo ressalta que Flávio Bolsonaro mantém o foco na disputa eleitoral antes de anunciar possíveis integrantes de sua equipe.
O fato político, por enquanto, é que Mauro Mendes entrou no radar das articulações nacionais para dois ministérios importantes. Caso as negociações avancem e Flávio Bolsonaro vença a eleição, Mato Grosso poderá ganhar um ministro de Estado e, simultaneamente, ver Cidinho Santos retornar ao Senado Federal.
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