O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta sexta-feira (22) que a criminalidade no Brasil “nunca foi tão forte”. A declaração foi feita na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), durante a cerimônia de entrega do Título Notório Saber ao magistrado.
Em seu discurso, o ministro detalhou a existência de um “bloco da ilegalidade” que une diferentes esferas do crime e do poder. Segundo Dino, essa estrutura engloba desde facções armadas até o mercado de capitais utilizado para lavagem de dinheiro, além de agentes que comercializam decisões judiciais.
Articulação entre crime e instituições
O magistrado destacou que a força atual do crime organizado reside na interconexão entre grupos armados e o sistema financeiro.
“O bloco da ilegalidade nunca foi tão forte e unido no Brasil. Aqui, refiro-me desde as facções armadas até o mercado de capitais, que lava dinheiro das facções armadas. Um não vive sem o outro”
, declarou o ministro.
Dino também incluiu o uso distorcido de emendas parlamentares como um dos componentes dessa engrenagem. O tema é objeto de monitoramento constante pela PF (Polícia Federal) e pela Suprema Corte, que recentemente endureceu as regras para a transparência e execução desses recursos públicos.
Fiscalização e trajetória
No último dia 15, o ministro abriu uma investigação sobre o suposto envio de emendas parlamentares para a produção do filme “Dark Horse”, associado a Jair Bolsonaro. Em março, Dino já havia proibido o saque em espécie de recursos provenientes dessas verbas. Para o magistrado, a traição dos “signos do poder do Estado” para integrar o bloco da ilegalidade é um dos principais desafios atuais do país.
A homenagem na PUC-SP celebrou a carreira jurídica e pública de Flávio Dino. Natural do Maranhão, ele ressaltou que esta foi a primeira honraria oficial recebida fora do eixo Norte-Nordeste, reafirmando o orgulho de suas identidades regionais.
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