O médico Norberto Martins, chefe do Comitê de Robótica do Hospital Mãe de Deus, realizou nesta quarta-feira (20) uma cirurgia de retirada de vesícula biliar em uma paciente em Porto Alegre estando em Wuhan, na China. O procedimento, conduzido a uma distância superior a 19 mil quilômetros, destaca-se como uma das telecirurgias mais remotas já registradas globalmente.
A operação teve início às 5h no horário de Brasília (17h na China). Os comandos executados pelo cirurgião em território chinês foram reproduzidos quase instantaneamente pelo robô no centro cirúrgico da capital gaúcha, apresentando um tempo de resposta de aproximadamente 200 milissegundos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o avanço de tecnologias de assistência remota é fundamental para a democratização de procedimentos complexos.
Detalhes e Performance
Para Norberto Martins, o sucesso da intervenção reflete o nível de excelência alcançado pelo serviço de cirurgia robótica local. O médico classificou o procedimento como desafiador, porém executado com total segurança e qualidade técnica. O coordenador da cirurgia geral do Hospital Mãe de Deus, Guilherme Pesce, reforçou que a conexão coloca o Brasil na vanguarda da medicina mundial.
“O mundo está começando a ficar menor, mais próximo”, afirmou Guilherme Pesce.
A instituição foi pioneira em telecirurgia robótica na América Latina e, desde outubro do ano passado, mantém conexões internacionais frequentes. Em Porto Alegre, a tecnologia também está presente na rede pública por meio do Hospital São Lucas, onde procedimentos robóticos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Formação e Segurança
O avanço da técnica no estado é acompanhado por investimentos em capacitação. A Santa Casa de Porto Alegre estabeleceu o primeiro centro de formação em cirurgia robótica do Rio Grande do Sul, sob a chefia de André Bigolin. O centro já treinou mais de 400 médicos, resultando em mais de 3 mil pacientes operados por profissionais formados na unidade.
A precisão do sistema é garantida por mecanismos de segurança avançados. Gustavo Carvalhal, chefe do Serviço de Urologia, explica que o robô possui travas que impedem a aproximação excessiva de vasos sanguíneos. Complementando a visão de futuro da área, a cirurgiã torácica Maria Teresa Tsukazan Schwarz prevê uma popularização ainda maior da plataforma, enquanto o cirurgião Vitor Doncatto enfatiza que a técnica reduz o trauma e acelera a recuperação pós-operatória.
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