O governo de Cuba classificou como uma “acusação desprezível” a denúncia criminal apresentada pelos Estados Unidos contra o ex-presidente Raúl Castro. O comunicado, divulgado nesta quarta-feira (20), descreve a ação como um ato infame de provocação política e uma tentativa de justificar o que chamou de “punição coletiva” contra a ilha.
As acusações reveladas pelo governo de Donald Trump incluem conspiração para assassinar cidadãos americanos, destruição de aeronave e homicídio. O processo está fundamentado no abate de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate em 24 de fevereiro de 1996, incidente que causou a morte de quatro pessoas, sendo três cidadãos dos Estados Unidos.
Detalhes do Incidente
Na data do ocorrido, jatos militares cubanos derrubaram duas aeronaves civis que operavam a partir de Miami. O governo de Havana sustenta que a ação foi necessária para defender seu espaço aéreo após múltiplas queixas ignoradas sobre incursões. Contudo, a posição norte-americana foi corroborada pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que determinou que o ataque ocorreu em águas internacionais.
O grupo Irmãos ao Resgate, fundado por cubano-americanos e liderado por José Basulto, afirmava realizar missões para localizar balseiros no Estreito da Flórida. Na época, o regime de Fidel Castro acusou o grupo de lançar panfletos sobre a capital cubana. Juan Pablo Roque, ex-integrante da organização, alegou posteriormente na TV cubana que o grupo coletava informações para possíveis ataques e contrabando de armas.
Reação de Havana
O atual presidente de Cuba afirmou que as acusações contra Raúl Castro são uma “manobra política” sem base legal. O comunicado oficial lido na TV estatal criticou a postura de Washington:
“É extremamente cínico que essa acusação seja feita pelo mesmo governo que assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico.”
Na época do incidente, o então presidente Bill Clinton ordenou sanções diplomáticas e o endurecimento do embargo, mas o Departamento de Justiça não apresentou queixas criminais contra os irmãos Castro. Embora três oficiais militares tenham sido indiciados em 2003, eles nunca foram extraditados. Fidel Castro afirmou, anos atrás, que nem ele nem Raúl Castro, então ministro da Defesa, deram ordens específicas para o abate, agindo os militares sob “ordens permanentes”.
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