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ANP atesta presença de petróleo em propriedade rural no Ceará após dezoito meses de investigação técnica

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ANP atesta presença de petróleo em propriedade rural no Ceará após dezoito meses de investigação técnica
Foto: G1

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou oficialmente que a substância encontrada pelo agricultor Sidrônio Moreira em seu sítio, no interior do Ceará, é petróleo cru. O achado ocorreu em novembro de 2024, durante a perfuração de um poço artesiano em busca de água, mas a validação técnica do órgão regulador foi concluída apenas 18 meses depois.

O caso ocorreu na zona rural de Tabuleiro do Norte, município situado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza. O agricultor havia contraído um empréstimo de R$ 15 mil para financiar a perfuração do solo em sua propriedade, que sofria com a escassez de abastecimento. Ao atingir a camada subterrânea, a máquina jorrou um líquido denso, escuro e com forte odor de combustível em vez de água potável.

Trâmite de análise e confirmação

A demora na confirmação oficial deveu-se a um longo processo burocrático e técnico. Inicialmente, a família buscou auxílio no Instituto Federal do Ceará (IFCE), que realizou as primeiras análises em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró. Embora os testes preliminares indicassem a presença de hidrocarbonetos, apenas laboratórios credenciados pela ANP possuem autoridade legal para o laudo definitivo.

A família estabeleceu contato com a agência em julho de 2025, mas a resposta inicial ocorreu somente em fevereiro de 2026. Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) visitaram a propriedade em 12 de março deste ano para coletar amostras. O resultado final, comprovando se tratar de petróleo cru, foi emitido em 20 de maio de 2026.

Contexto geológico e direitos legais

Tabuleiro do Norte está integrada geograficamente ao Vale do Jaguaribe, na divisa com o Rio Grande do Norte. A região é próxima à Bacia Potiguar, uma área consolidada de exploração de petróleo em terra. A ANP informou que iniciará estudos para avaliar a extensão da reserva e a viabilidade econômica de uma futura extração comercial, embora não tenha estabelecido um prazo para a conclusão das análises.

De acordo com a legislação brasileira e a Constituição Federal, os recursos minerais do subsolo pertencem à União. Portanto, Sidrônio Moreira não detém a posse do petróleo encontrado nem pode comercializá-lo de forma independente. Entretanto, o proprietário da terra tem direito a uma compensação financeira que pode chegar a 1% sobre o valor da produção, caso a exploração venha a ser efetivada por empresas concessionárias.

Impacto para a família

Durante o período de espera pelo laudo, a propriedade permaneceu isolada por orientação técnica para evitar riscos de contaminação ou acidentes.

“Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente”, afirmou Saullo Moreira, filho do agricultor.

Apesar da incerteza sobre os lucros futuros, a família voltou a ser atendida por uma adutora local em março de 2026, garantindo o acesso à água que motivou a perfuração original. A ANP mantém a recomendação de que moradores e curiosos evitem o contato direto com o poço até que os estudos de segurança e viabilidade sejam finalizados.

📰 Fonte: G1 — Leia a matéria original no veículo de origem.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.