O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou, nesta quarta-feira (20), a substituição do coordenador de comunicação de sua pré-campanha à Presidência da República. O publicitário Eduardo Fischer assume o posto deixado por Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, após uma crise reputacional gerada por denúncias envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A decisão ocorre na esteira de uma reportagem do site Intercept Brasil, que revelou negociações de R$ 134 milhões entre o parlamentar e o banqueiro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo integrantes do Partido Liberal, a condução da resposta de Flávio Bolsonaro ao caso foi considerada insatisfatória, gerando críticas internas à gestão de Lopes.
Saída em comum acordo
Em nota oficial, a equipe do senador afirmou que o desligamento de Marcello Lopes ocorreu em comum acordo. O comunicado justifica que o publicitário, amigo pessoal do parlamentar, decidiu focar em sua própria empresa e retornará aos Estados Unidos para cumprir compromissos familiares.
Aliados do PL, no entanto, apontam que o desgaste aumentou após entrevistas em que o senador foi acuado por jornalistas e pela divulgação de um vídeo explicativo considerado ineficiente. A viagem de Lopes ao exterior durante o auge da crise também teria irritado membros da cúpula partidária.
Nova estratégia e impactos eleitorais
O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a escolha de Eduardo Fischer visa profissionalizar a comunicação e dar uma “roupagem adequada” ao candidato. Marinho descreveu Fischer como um dos publicitários mais premiados do país, capaz de lidar com a envergadura do projeto eleitoral no Senado Federal.
O cenário de crise já apresenta reflexos nas pesquisas de opinião. Dados da Atlas/Intel divulgados nesta semana indicam que Flávio Bolsonaro perdeu seis pontos percentuais de intenção de voto após a divulgação do caso.
Investigação da Polícia Federal
Além do desgaste político, o caso é alvo de atenção das autoridades. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos do Banco Master, transferidos via fundo Havengate Development Fund LP, foi utilizada para custear despesas do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O valor total da negociação seria de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido pagos.
O ex-chefe da Secom, Fabio Wajngarten, defendeu publicamente Marcello Lopes, afirmando que o marqueteiro foi “sabotado pela política”.
“O Marcelão é ótimo, alma boa. Foi sabotado pela política. Ele não caiu, pediu para sair. A política não entende nada de comunicação e nem deveria se meter”, declarou Wajngarten.
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