A fabricante Cimed Industria S.A. iniciou, na segunda-feira (18), o recolhimento voluntário de lotes dos medicamentos atorvastatina cálcica e rosuvastatina cálcica. A medida foi motivada pela mistura de cartuchos de rosuvastatina em lotes de atorvastatina, conforme publicação no Diário Oficial da União.
De acordo com a empresa, a ação é preventiva e busca evitar o consumo equivocado das substâncias. Ambas pertencem à classe das estatinas, utilizadas para o controle dos níveis de colesterol LDL no sangue.
Detalhes sobre a falha e o medicamento
As estatinas agem no fígado inibindo uma enzima responsável pela produção de colesterol. Esse bloqueio faz com que o órgão capte mais LDL da corrente sanguínea, reduzindo o chamado “colesterol ruim”.
Segundo Marcello Bertoluci, médico endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a potência do tratamento varia conforme a molécula e a dose. A atorvastatina e a rosuvastatina em doses altas podem reduzir o LDL em cerca de 50%.
Além da redução do colesterol, esses medicamentos auxiliam na estabilização de placas de gordura e na diminuição de inflamações arteriais. Um estudo de 2025 da revista Annals of Internal Medicine apontou ainda que as estatinas reduzem a mortalidade em adultos com diabetes.
Novas diretrizes e indicações
A indicação do uso de estatinas depende do risco cardiovascular individual. Elaine dos Reis Coutinho, cardiologista da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirma que o tratamento é essencial para pacientes que já sofreram infarto ou AVC, além de diabéticos e hipertensos com múltiplos fatores de risco.
Em 2025, a SBC atualizou as metas de tolerância para o LDL, tornando os critérios mais rigorosos. Para pacientes de baixo risco, o índice aceitável caiu de 130 mg/dL para 115 mg/dL. Já na nova categoria de risco extremo, o alvo é manter o LDL abaixo de 40 mg/dL.
Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, ressalta que o tratamento é personalizado. Dois pacientes com o mesmo nível de colesterol podem receber condutas distintas com base em seus históricos clínicos e riscos de eventos cardiovasculares.
Segurança e efeitos colaterais
Especialistas reforçam que as estatinas são seguras e eficazes. O efeito colateral mais relatado é a dor muscular, que atinge cerca de 10% dos usuários, sendo geralmente reversível com ajuste de dose ou troca da medicação, conforme explica Marcello Bertoluci, que também coordena o departamento de cardiometabolismo da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
Reações graves, como lesões renais ou hepatite medicamentosa, são consideradas extremamente raras. Os médicos enfatizam que o benefício do tratamento na prevenção de doenças cardiovasculares supera os riscos de efeitos adversos na grande maioria dos casos.
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