Os produtores de soja do Oeste Paulista enfrentam uma safra desafiadora em 2026, marcada por chuvas irregulares que reduziram drasticamente a produtividade local. Enquanto o Instituto de Economia Agrícola (IEA) projeta crescimento para o estado, municípios como Sandovalina (SP) registram colheitas reduzidas pela metade devido ao clima adverso.
Impacto na Produtividade e Qualidade
A falta de umidade afetou diretamente o desenvolvimento das lavouras. O produtor Júlio César Vieira, que cultiva 300 hectares em Sandovalina, relata que a produção caiu para 25 sacas por hectare nas áreas mais secas, metade do volume colhido em zonas com melhor pluviosidade.
Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Raphael Volf, a instabilidade climática atrasou o plantio e prejudicou o enchimento dos grãos. O especialista aponta que a soja colhida está até 30% menor que o padrão, o que resulta em menor peso e prejuízo financeiro no momento da pesagem oficial.
Cenário Econômico e Custos
Além dos problemas climáticos, o setor lida com a pressão dos custos operacionais e a desvalorização da commodity. A saca de soja é comercializada a R$ 114, valor considerado insuficiente para cobrir gastos elevados com insumos e óleo diesel. O produtor Marcos Antônio de Almeida projeta um prejuízo de 25% nesta safra, após colher apenas 40 das 65 sacas previstas por hectare.
“Estou usando recursos da pecuária para cobrir os custos da soja”, afirma Marcos Antônio de Almeida.
Contexto Estadual
Apesar da crise localizada no Oeste Paulista, os dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo indicam um cenário distinto para o restante do território paulista. O Instituto de Economia Agrícola (IEA) estima que a produção estadual possa atingir 4,5 milhões de toneladas, o que representaria uma alta de 11% na produtividade média de São Paulo.
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