A Polícia Federal (PF) alterou a estrutura interna responsável por investigar fraudes em aposentadorias e pensões no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os inquéritos da chamada Operação Sem Desconto deixaram a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (DPrev) e foram transferidos para o grupo que apura crimes envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a decisão, o caso saiu da alçada do delegado Guilherme Figueiredo Silva, que coordenava as apurações. A investigação agora está sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), unidade vinculada à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC). Segundo despacho administrativo da corporação, a mudança visa adequar a estrutura à complexidade dos fatos, que envolvem suspeitas de corrupção de agentes com foro especial.
Detalhes da Operação e Envolvidos
A mudança na Polícia Federal gerou surpresa entre investigadores, uma vez que o delegado Guilherme Silva detinha conhecimento aprofundado do caso. Sob sua gestão, a investigação avançou sobre o eventual envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A principal linha de investigação apura se Careca do INSS, preso preventivamente desde 2025, utilizou recursos desviados da autarquia previdenciária para contratar Lulinha. O contrato teria como objetivo a atuação em uma empresa de cannabis medicinal pertencente ao lobista. Além disso, a Operação Sem Desconto já atingiu políticos como os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que negam irregularidades.
O delegado Guilherme Silva também conduzia tratativas para três acordos de colaboração premiada fundamentais: do empresário Maurício Camisotti, já assinado; do ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho; e do ex-diretor do órgão André Fidelis. Na última sexta-feira (15), a equipe da operação reuniu-se com o relator do caso no STF, o ministro André Mendonça, para atualizar o status das diligências.
Posicionamento Oficial e Reação Política
Em nota oficial, a Polícia Federal justificou que a transferência entre coordenações foi planejada para garantir “maior eficiência e continuidade às investigações”. A instituição assegurou que, apesar da troca de comando administrativo, não houve alteração na equipe operacional que conduz os trabalhos de campo e análise de dados.
A transferência foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a CINQ possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o Supremo Tribunal Federal.
No campo político, a mudança provocou reações imediatas da oposição no Congresso Nacional. O deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) anunciou que solicitou a convocação do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos sobre as motivações técnicas da troca de comando em uma investigação que atinge familiares da presidência da República e parlamentares da base aliada.
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