A Polícia Federal apreendeu, nesta sexta-feira (15), mais de R$ 500 mil em dinheiro vivo na residência do policial civil Maxwell Moraes Fernandes. A ação faz parte da Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais e evasão de divisas envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O montante estava armazenado em caixas de sapatos, sendo que uma delas continha a mensagem manuscrita: “o que é bom a gente guarda”.
Embora a posse de grandes quantias em espécie não configure crime, Maxwell Moraes Fernandes deverá prestar esclarecimentos sobre a origem lícita dos valores. Os investigadores buscam entender a razão pela qual a quantia não estava depositada em contas bancárias rastreáveis. O policial é um dos alvos centrais da ofensiva que apura a ocultação de patrimônio por parte de um dos maiores grupos devedores de impostos do país.
Desdobramentos e outros alvos
A operação também atingiu o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência na Barra da Tijuca. Segundo o relatório da Polícia Federal, há indícios de que Cláudio Castro atuou para proteger os interesses econômicos do Grupo Refit. Após três horas de buscas acompanhadas por advogados, os agentes deixaram o local carregando malotes com documentos e dispositivos eletrônicos.
A defesa do ex-governador manifestou-se por meio de nota oficial:
“A defesa foi surpreendida com a operação. Cláudio Castro está à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura.”
Outro investigado de destaque é o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit. A Polícia Federal solicitou a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha da Interpol, tornando-o procurado internacionalmente. Ricardo Magro já havia sido alvo de outra grande operação no final do ano passado por crimes semelhantes.
Histórico de fraudes bilionárias
A Operação Sem Refino é um desdobramento de investigações que apontam um prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos. De acordo com as autoridades, a Refit operava uma estrutura complexa com cerca de 50 fundos de investimento e empresas em cascata para blindar o patrimônio dos sócios. O esquema utilizava notas fiscais incompatíveis e a troca frequente de quadros societários para dificultar a fiscalização tributária.
Em nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que colabora integralmente com a ação federal:
“A instituição reforça que mantém permanente cooperação com os órgãos de investigação e segurança pública, atuando de forma integrada. O caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil.”
Investigadores classificam o caso como um exemplo emblemático de criminalidade financeira sofisticada. As irregularidades incluem desde a ausência de comprovação de refino de combustíveis até a retenção de navios com milhões de litros de produtos sem a devida declaração de importação.
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