Seis tipos de tumores abdominais são responsáveis por aproximadamente 74 mil mortes anuais no Brasil, segundo levantamento baseado em dados de 2025 do Ministério da Saúde. O estudo, conduzido pelo cirurgião oncologista Felipe José Fernández Coimbra, destaca um crescimento constante na mortalidade devido à natureza silenciosa dessas doenças e à demora na identificação dos sintomas iniciais.
Estatísticas de letalidade
Entre as patologias analisadas, o câncer colorretal é o mais letal, registrando 23.539 óbitos no último ano. Na sequência, aparecem o câncer de pâncreas, com 14.571 mortes, e o de estômago, com 14.363 registros. O levantamento foi enviado à CNN Brasil pelo médico Felipe José Fernández Coimbra, que ocupa os cargos de secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO) e diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
Um dado crítico envolve o câncer de pâncreas: embora represente apenas 1% dos diagnósticos de câncer no país, ele responde por 5% do total de mortes. Cerca de 80% dos pacientes descobrem a enfermidade em estágio avançado ou com metástase. Além dos três principais, os cânceres de fígado, esôfago e peritônio também contribuem para os índices de mortalidade no sistema digestivo.
Desafios no diagnóstico
As altas taxas de óbito são atribuídas ao tratamento tardio, uma vez que sintomas como perda de peso, fraqueza e dor abdominal difusa costumam ser pouco esclarecedores no início. Segundo Felipe José Fernández Coimbra, que também é Head do Instituto Integra Saúde, a cirurgia é a principal chance de cura, mas depende da viabilidade do diagnóstico precoce.
“No câncer de pâncreas, por exemplo, quando conseguimos identificar a doença em fase inicial, a sobrevida pode mais que triplicar em relação aos estágios avançados. O mesmo raciocínio se aplica a outros tumores do aparelho digestivo”, afirmou o especialista.
Panorama global e estimativas
De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer colorretal causou mais de 904 mil mortes no mundo em 2022. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima que 59,5 mil novos casos de tumores de estômago, pâncreas, esôfago e fígado surjam anualmente entre 2026 e 2028. Fatores de risco como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool permanecem como os principais alertas para a saúde pública.
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