O médico Júlio Cesar Acosta Navarro, pai do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas — morto por um policial militar em 2024 —, denunciou uma série de crimes ocorridos contra sua família em São Paulo. Em um intervalo de aproximadamente 40 dias, o médico teve seu veículo furtado e sua residência invadida. Em depoimento, Navarro afirmou acreditar que os episódios configurem uma perseguição ou ação direcionada.
Detalhes
O primeiro incidente foi registrado no domingo, 29 de março, no estacionamento do InCor (Instituto do Coração), unidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Segundo o relato do médico, o furto ocorreu de forma ousada dentro da instituição. Posteriormente, dois homens entraram em contato via celular para indicar a localização do veículo, que foi recuperado após registro de boletim de ocorrência.
Em 26 de abril, a família foi contatada por uma mulher identificada como Dalila Prado. Ela alegou ser ex-companheira de um policial militar chamado Bruno do Prado e relatou viver uma situação de violência doméstica, afirmando que a família de Navarro seria sua única saída. Segundo o médico, ela dizia temer pela própria vida e pela do filho.
O terceiro episódio aconteceu no sábado, 9 de maio, quando a residência da família foi invadida. Navarro e outros familiares, que são profissionais da saúde, encontraram o imóvel de oito cômodos totalmente revirado ao retornarem de plantões em UTIs. Foram subtraídos roupas, joias e um computador.
“Encontramos a casa roubada. A casa é uma casa de oito cômodos, todas as roupas tiradas, roubadas, as joias e um computador”, relatou o médico.
Contexto
Navarro destacou que os últimos acontecimentos ocorreram após reuniões com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. Para a vítima, a forma como os fatos se desenrolaram apresenta indícios de envolvimento de agentes policiais.
A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que a Polícia Civil, por meio do 14º e do 27º Distritos Policiais, investiga os casos. A pasta ressaltou que a possível relação entre os episódios será analisada no decorrer do inquérito.
Em nota, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP confirmou o furto no estacionamento do InCor, observando que o local é operado por uma empresa terceirizada e que todas as informações foram compartilhadas com as autoridades.
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