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Brasil e EUA iniciam prazo de 30 dias para negociar acordo e evitar sanções comerciais

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Brasil e EUA iniciam prazo de 30 dias para negociar acordo e evitar sanções comerciais
Foto: CNN Brasil

O Brasil e os Estados Unidos estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação de um novo acordo comercial após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido na última semana. Apesar da aproximação diplomática, a investigação conduzida pelo Departamento de Comércio norte-americano, fundamentada na Seção 301, permanece como uma ameaça concreta de sobretaxas às exportações brasileiras.

O analista de economia Gabriel Monteiro, em entrevista ao Agora CNN, destacou que a criação de um grupo de trabalho técnico foi o principal avanço da reunião. O objetivo do colegiado é alinhar as exigências americanas e identificar em quais pontos o governo brasileiro está disposto a ceder para encerrar o processo investigativo e viabilizar o tratado bilateral.

Eixos da Investigação e Demandas dos EUA

A pauta da investigação comercial abrange temas sensíveis à soberania econômica e regulação brasileira. Entre os principais focos de tensão estão as tarifas aplicadas pelo Brasil ao etanol importado dos Estados Unidos e o sistema de pagamentos PIX, que o governo americano alega concorrer diretamente com meios de pagamento norte-americanos, como Visa e Mastercard.

Além das questões financeiras, a investigação cita nominalmente a Rua 25 de Março, em São Paulo, devido a preocupações com a pirataria e violação de propriedade intelectual. O escopo também inclui patentes, direitos de imagem e a regulação de grandes empresas de tecnologia, sinalizando que a administração de Donald Trump busca uma vitória comercial para consolidar sua base política.

Riscos ao Agronegócio e Indústria

A diplomacia brasileira busca evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos estratégicos, especialmente do agronegócio. Estão sob risco itens como carne, café e suco de laranja, além de maquinários e produtos industrializados destinados ao mercado norte-americano, atualmente o principal comprador de bens manufaturados do Brasil.

Embora uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos tenha reduzido certas tarifas no início deste ano, Gabriel Monteiro alerta que o risco não foi eliminado. Segundo o especialista, o Departamento de Comércio abriu novas investigações contra outras 60 economias simultaneamente, indicando que o país pode ser utilizado como um instrumento de pressão política global.

“O Brasil pode se tornar um bode expiatório. Apesar da melhora nas relações diplomáticas, um acordo formal ainda é necessário para garantir que o país não sofra novas sanções comerciais”, afirmou Gabriel Monteiro.

📰 Fonte: CNN Brasil — Leia a matéria original no veículo de origem.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.