URGENTE
Politica

A primavera Brasileira

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Em 2013, acreditávamos estar vivendo a nossa primavera Brasileira. As manifestações que começaram com o aumento das tarifas de ônibus e ganharam força, espalhando-se pelo país e, anos depois, ajudando a formar o ambiente de mobilização política que marcou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Era um período de transformações, de liberdade, de novas ideias e de esperança.

As redes sociais tiveram um papel decisivo nesse processo. Elas facilitaram a organização dos protestos, ampliaram a circulação de informações e permitiram que milhões de pessoas acompanhassem, comentassem e compartilhassem os acontecimentos em tempo real. Ao mesmo tempo, também contribuíram para a disseminação de versões simplificadas dos fatos, notícias falsas, discursos inflamados e campanhas de polarização. A mesma ferramenta que aproximava as pessoas também criava bolhas, reforçava certezas e transformava divergências em conflitos permanentes.

Aquela mesma “primavera” também fez florescer tudo aquilo que estava escondido debaixo do tapete da sociedade brasileira: o tiozão do churrasco, o primo trans, a prima militante, o asco à militância de gênero, a tiazinha da Bíblia, os preconceitos silenciosos e as intolerâncias que, até então, pareciam adormecidas.

A verdade é que, para que um cabo de guerra permaneça tensionado, é necessário que existam dois lados puxando a corda. E, por conhecimento de causa, acompanhei movimentos e militantes, tanto de esquerda quanto de direita, digladiando-se como gladiadores em uma arena. Nas redes sociais, essa disputa se intensificou: cada publicação podia se transformar em provocação, cada comentário em ataque e cada opinião divergente em motivo para desqualificar o outro. Em muitos momentos, parecia que o objetivo já não era defender ideias, mas simplesmente destruir quem pensava diferente.

É justamente por isso que frequentemente me pego refletindo sobre minhas próprias convicções.

Não sou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Acredito que precisamos de leis mais firmes e políticas públicas eficazes para combater o feminicídio. Defendo o respeito às diferenças e compreendo que uma sociedade democrática precisa garantir direitos individuais.

Entretanto, isso não me impede de reconhecer o direito das pessoas à posse e ao porte de armas, e que os limites legais do seu uso sejam ampliados. Também não me impede de enxergar que a economia brasileira enfrenta problemas estruturais que sufocam a geração de empregos, comprometem a receita das empresas e dificultam a vida de quem empreende e trabalha.

Também acredito que o modelo paternalista do Estado brasileiro precisa ser profundamente revisto. A proteção social é necessária, mas não pode se transformar em uma estrutura que desestimule a autonomia econômica ou dificulte a ascensão social.

E aqui cabe uma pergunta: por que uma mãe que recebe Bolsa Família deveria ter medo de conseguir um emprego com carteira assinada e perder o benefício? Embora a legislação já permita, em determinadas condições, conciliar renda formal e benefício, por período determinado, precisamos discutir se as regras de transição são suficientes para oferecer segurança às famílias.

Vejo que, a melhor forma de promover justiça social é construir uma economia pujante, capaz de gerar empregos, estimular o empreendedorismo e reconhecer as habilidades de cada indivíduo. O Estado deve oferecer condições para que as pessoas desenvolvam seus talentos, conquistem autonomia e encontrem seu lugar no mundo produtivo, em sintonia com suas vocações e com as necessidades da sociedade.

É justamente nesse tipo de distorção, entre outras contradições, que enxergo parte das razões pelas quais setores da esquerda brasileira se distanciaram da classe trabalhadora. Em algum momento, parte do debate político passou a dar mais atenção às disputas simbólicas e ideológicas do que às dificuldades concretas de quem acorda cedo, pega ônibus lotado, paga impostos, sustenta uma família e luta para sobreviver.

A direita também precisa fazer sua autocrítica. Vamos defender liberdade econômica e brigar para diminuir as desigualdades históricas, devemos falar em valores familiares e estarmos atentos para a violência, a pobreza e a ausência de oportunidades.

É nesse ponto que a paz social se torna fundamental. Não falo de uma paz baseada no silêncio, na submissão ou na ausência de conflitos, mas de uma paz construída por meio da segurança, do respeito às leis, da liberdade individual e da possibilidade real de ascensão social. Uma sociedade em paz é aquela em que as pessoas podem trabalhar, empreender, estudar, criar seus filhos e desenvolver suas capacidades sem viver permanentemente sob o medo, a instabilidade ou a guerra política.

Talvez o grande problema do Brasil seja justamente essa necessidade quase doentia de enquadrar todas as nossas convicções em uma única caixa ideológica. Como se defender direitos sociais significasse necessariamente apoiar um Estado gigantesco. Como se defender o empreendedorismo significasse abandonar os mais pobres. Como se respeitar a diversidade fosse incompatível com a valorização da família, da liberdade individual ou da responsabilidade econômica.

As redes sociais agravaram essa necessidade de pertencimento. Muitas vezes, as pessoas passaram a compartilhar conteúdos não porque fossem verdadeiros, mas porque confirmavam aquilo em que já acreditavam. A política deixou de ser apenas uma disputa de projetos e passou a ser também uma disputa por narrativas, curtidas, seguidores e aprovação dentro de grupos cada vez mais fechados.

Não precisamos concordar com tudo que a esquerda defende para reconhecer suas contribuições. Tampouco precisamos rejeitar tudo que vem da direita para demonstrar compromisso com a justiça social.

É por acreditar na paz social como ferramenta de inclusão, na liberdade como estímulo à responsabilidade e em uma economia forte como caminho para a autonomia, que decidi votar em Flávio Bolsonaro. Vejo nessa escolha uma defesa da ordem, da segurança, do empreendedorismo e de um projeto de país em que o indivíduo possa desenvolver suas habilidades, conectar-se às oportunidades e participar da construção do progresso coletivo.

Meu voto não representa a crença de que um político ou um partido tenha todas as respostas. Representa, antes, uma escolha de direção: menos dependência, mais autonomia; menos confronto permanente, mais estabilidade; menos tutela, mais oportunidade; menos guerra ideológica, mais condições para que cada pessoa possa construir sua própria trajetória.

A política deveria ser um instrumento de construção, não uma arena permanente de destruição.

Talvez a verdadeira primavera brasileira só aconteça quando compreendermos que pensar livremente é mais importante do que pertencer cegamente a um lado.

Porque, no fim das contas, enquanto os dois lados continuarem puxando a corda, alimentados também pela lógica de confronto das redes sociais, quem permanece no meio, suportando toda essa tensão, é justamente o povo brasileiro. O Flávio é o único focado em fazer o jogo político, atendendo a demanda da população, de maneira integral, fazendo política sem usar a mão de ferro das instituições como o STF, com jogo de cintura e sem populismo.

Por fim, a correlação de forças é meu argumento mais importante, a democracia se consolida quando todas as vozes são ouvidas, a esquerda retomou o poder, agora é a vez de votar em alguém que entendeu os jogos de poder, e que vai acalmar os ânimos.

Foco em crescimento e em colocar o Brasil no mais alto posto, é o que vai me fazer votar 22 no dia 25.

Adilson Souza Jr.
Articulista político
Advogado/Empresario