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PF detalha rede de hackers e policiais suspeita de monitorar adversários de Daniel Vorcaro

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PF detalha rede de hackers e policiais suspeita de monitorar adversários de Daniel Vorcaro
Foto: G1

A Polícia Federal (PF) detalhou a estrutura de uma organização criminosa supostamente liderada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O grupo, dividido entre braços digitais e físicos, teria realizado ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações armadas contra adversários do empresário.

De acordo com os relatórios da PF, a estrutura era segmentada em dois núcleos: “Os Meninos”, responsável pelas operações digitais, e “A Turma”, encarregada de ações físicas e coações. Daniel Vorcaro encontra-se preso preventivamente em Brasília, sob acusação de chefiar um esquema de fraudes financeiras estimado em R$ 12 bilhões.

Detalhes do Núcleo Digital

O braço tecnológico da organização, apelidado de “Os Meninos”, utilizava inteligência artificial e softwares para monitorar alvos. Um dos integrantes, o hacker Victor Lima Sedlmaier, foi detido em Dubai em uma operação conjunta envolvendo a Interpol e as autoridades locais. Sedlmaier, que possuía participação minoritária em drogarias investigadas, admitiu prestar serviços de tecnologia ao grupo desde 2024.

As ordens para o setor hacker eram supostamente coordenadas por David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como chefe do núcleo com remuneração mensal de R$ 35 mil. No dia da prisão de Daniel Vorcaro, Alves foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal com diversos equipamentos eletrônicos em um veículo pertencente a Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”. David Henrique Alves é considerado foragido pela justiça.

A investigação também identificou a falsificação de documentos públicos para beneficiar o banqueiro. O grupo teria forjado um ofício do Ministério Público do Ceará (MP-CE) para remover um perfil de rede social que utilizava o nome da então noiva de Vorcaro. O documento continha a assinatura de uma servidora, Nayara Maria, e foi enviado via e-mail institucional, resultando na exclusão da conta pela plataforma digital.

Operações Físicas e Intimidações

O núcleo conhecido como “A Turma” era composto por bicheiros, milicianos e policiais federais da ativa e aposentados. Segundo a investigação, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, atuava como financiador e gestor dos pagamentos para as operações de coação e acesso indevido a sistemas governamentais.

Entre os episódios relatados pela PF está o planejamento de um ataque ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Mensagens recuperadas mostram Daniel Vorcaro solicitando o hackeamento do colunista, enquanto o intermediário Felipe Mourão sugeria um assalto simulado para agredir o profissional. Outro integrante citado é Marilson Roseno da Silva, transferido recentemente para o Presídio Federal de Brasília.

Vítimas relataram abordagens agressivas em Angra dos Reis (RJ). Luis Felipe Woyceichoski, ex-capitão do iate de Vorcaro, afirmou ter sido procurado por homens armados e ameaçado por telefone por Manoel Mendes Rodrigues, identificado como bicheiro. O ex-chef da residência do banqueiro, Leandro Garcia, também relatou ter sido coagido em um hotel por Manoel e Felipe Mourão, que afirmaram agir a mando de Daniel Vorcaro.

Manifestações das Defesas

A defesa de Victor Lima Sedlmaier declarou que os fatos serão esclarecidos no processo e aguarda acesso integral aos autos. Os advogados de Henrique Vorcaro negam que ele tenha operado grupos ilícitos, afirmando que os pagamentos citados referem-se a serviços legítimos de vigilância imobiliária e que o Supremo Tribunal Federal foi induzido ao erro pela omissão de documentos.

A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se manifestar sobre as acusações. Não houve retorno da servidora Nayara Maria até o fechamento desta reportagem.

📰 Fonte: G1 — Leia a matéria original no veículo de origem.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.