A Polícia Federal identificou que Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro, recebeu R$ 1,3 milhão da refinaria Refit. Os valores teriam sido repassados por meio de movimentações financeiras classificadas como atípicas para uma empresa de consultoria de sua propriedade, conforme aponta o relatório da corporação.
As investigações fazem parte da Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado citou movimentações envolvendo a Sary Consultoria e Participações LTDA, empresa na qual Jonathas Castro, braço direito de Ciro Nogueira à época, detém 100% de participação societária.
Detalhes das movimentações
Segundo a PF, entre 17 e 31 de março de 2025, a conta da consultoria recebeu R$ 765.698,09 diretamente da Refit. O montante total de R$ 1,32 milhão no período foi completado por repasses das empresas Roar Inovação, Fera Lubrificantes e Flagler, todas apontadas como integrantes do grupo empresarial de Ricardo Andrade Magro.
A análise técnica indica que a Sary Consultoria funcionava como uma “empresa de passagem”, uma vez que os créditos eram rapidamente transferidos para a conta pessoal de Jonathas Castro. A firma não apresentava despesas operacionais condizentes com uma atividade empresarial real, como folha de pagamento ou estrutura administrativa relevante.
Prisão preventiva e Interpol
O STF decretou a prisão preventiva de Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, e solicitou a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol. O empresário é acusado de liderar uma organização criminosa especializada em sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, com prejuízos estimados em R$ 52 bilhões aos cofres públicos.
A Operação Sem Refino também realizou buscas na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e na sede da refinaria em Duque de Caxias. O esquema envolveria a cooptação de agentes públicos para garantir benefícios fiscais e barrar concorrentes por meio de órgãos como a Receita Federal e secretarias estaduais de fazenda.
Contexto
Ricardo Magro reside em Miami, nos Estados Unidos, desde 2016 e não retorna oficialmente ao país há seis anos. A PF aponta que o grupo utilizava uma rede sofisticada de offshores em paraísos fiscais, como Delaware, Bahamas e Malta, para blindar ativos contra execuções judiciais.
O empresário nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição institucional promovida por grandes empresas do setor de combustíveis. Em declarações anteriores, Magro atribuiu o rótulo de devedor de ICMS a disputas de mercado e pressões de grupos concorrentes.
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