O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (15) que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) agiu de forma correta e responsável ao manter restrições contra produtos da marca Ypê. A declaração ocorreu após a Diretoria Colegiada da agência decidir pela manutenção da suspensão da fabricação e venda de itens com risco de contaminação, embora tenha flexibilizado a obrigatoriedade do recolhimento imediato.
Decisão da Diretoria Colegiada
Durante reunião extraordinária, a maioria dos diretores da Anvisa votou por manter a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de detergentes e desinfetantes produzidos na unidade de Amparo (SP). O diretor-presidente, Leandro Safatle, e os diretores Daniela Marreco e Daniel Pereira votaram pela manutenção das sanções, mas retiraram a exigência de recall imediato. Apenas o diretor Thiago Campos defendeu a permanência de todas as medidas, incluindo o recolhimento dos produtos.
“A Anvisa tomou uma decisão correta que foi, a partir da detecção dessas bactérias, determinar a suspensão da circulação desses produtos. A agência está sendo extremamente responsável na decisão que ela tomou hoje”, destacou Alexandre Padilha.
Irregularidades e riscos à saúde
A fiscalização que motivou a medida ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril, envolvendo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e órgãos municipais. Os técnicos identificaram 76 irregularidades em mais de 100 lotes, apontando descumprimento de Boas Práticas de Fabricação e risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. Esse microrganismo pode causar infecções graves em indivíduos com sistema imunológico fragilizado.
As investigações foram impulsionadas por denúncias da Unilever, concorrente da marca, e pelo histórico da fábrica em Amparo. Em novembro do ano anterior, a unidade já havia registrado incidentes similares de contaminação bacteriana em seus produtos.
Posicionamento da empresa
Em nota oficial, a Ypê informou que seguirá as determinações da agência e que investirá R$ 130 milhões para adequar seus processos produtivos. A empresa reiterou que, embora o recolhimento não seja mais obrigatório por decisão da Ministério da Saúde e da agência reguladora, manterá canais abertos para ressarcimento ou troca de produtos para consumidores que assim desejarem.
A orientação atual das autoridades sanitárias é que os consumidores que possuam produtos com lote final 1 interrompam o uso preventivamente. Os itens devem permanecer guardados até que novos laudos de laboratórios independentes confirmem a segurança dos lotes remanescentes.
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