A ONU (Organização das Nações Unidas) projeta que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deve desacelerar para 2,0% em 2026, após uma expansão estimada em 2,3% para 2025. Os números foram apresentados no relatório semestral sobre perspectivas para a economia global, que manteve as previsões inalteradas em relação ao levantamento divulgado em janeiro. Para o ano de 2027, a expectativa da organização é de uma leve recuperação, com a expansão retornando ao patamar de 2,3%.
Fatores de desaceleração
De acordo com o documento, a economia brasileira tende a perder fôlego ao longo deste ano em função das “condições monetárias ainda restritivas”. O termo faz referência direta à manutenção da taxa Selic em níveis significativamente superiores aos índices de inflação atuais, o que limita o crédito e o investimento produtivo.
Estímulos à demanda e indústria
Apesar do cenário de juros elevados, a ONU ressalta a existência de elementos que sustentam a demanda doméstica. O relatório cita especificamente as medidas expansionistas adotadas, como os aumentos do salário mínimo e a elevação dos limites de isenção do imposto de renda para as famílias de menor renda, fatores que devem mitigar parte do impacto monetário.
O documento também destaca a resiliência do mercado de trabalho brasileiro e o papel das novas políticas industriais estruturantes.
“Alguns países estão avançando com estratégias ambiciosas – por exemplo, o Brasil com a Nova Indústria Brasil, com apoio de financiamento ao desenvolvimento e suporte setorial direcionado”, afirma o relatório.
A análise da ONU reforça que, embora o país enfrente um ciclo de desaceleração pontual, o suporte governamental à renda e o financiamento ao desenvolvimento industrial são vistos como pilares de sustentação para a atividade econômica nos próximos períodos.
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