O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que pretende indicá-lo novamente para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). A movimentação ocorre após o nome de Jorge Messias ter sido rejeitado pelo Senado Federal em votação anterior.
A insistência do Palácio do Planalto provocou irritação no senador Davi Alcolumbre, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Interlocutores de Davi Alcolumbre avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já acumula perdas políticas significativas e que uma nova tentativa seria vista como uma “derrota histórica” no cenário atual.
Obstáculos regimentais e políticos
Além da resistência política, existe um entrave técnico para a pretensão do governo. Segundo o Ato da Mesa número 1 de 2010 do Senado Federal, é vedada a apreciação de uma autoridade já rejeitada pela Casa dentro da mesma legislatura. O ciclo atual encerra-se apenas em 1º de fevereiro, após as próximas eleições.
Simplesmente não pode o Senado apreciar novamente o Messias neste ano
, destacou o analista Caio Junqueira. Para viabilizar a votação ainda nesta legislatura, seria necessária uma alteração no regimento, o que dependeria diretamente de uma negociação com Davi Alcolumbre, com quem o governo possui relação desgastada no momento.
Cenário em Minas Gerais e no TCU
O isolamento do governo no Senado é agravado pela situação de Rodrigo Pacheco. O atual presidente da Casa recusou disputar o governo de Minas Gerais por considerar que não houve a articulação de uma frente ampla por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Em contrapartida, Davi Alcolumbre estaria articulando uma vaga para Rodrigo Pacheco no TCU (Tribunal de Contas da União), na cadeira futuramente deixada por Bruno Dantas.
Analistas indicam que o cenário para Jorge Messias tende a piorar na próxima legislatura, uma vez que a composição do Senado pode se tornar mais conservadora e Davi Alcolumbre é o favorito para reassumir a presidência da Casa Alta.
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