Uma inspeção na Penitenciária de Segurança Máxima Dr. Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1 e PB2, identificou uma tentativa de fuga em massa envolvendo sete integrantes de cúpulas de facções criminosas na Paraíba. Os detentos tentaram obter a liberdade por meio de alvarás de soltura falsificados. Policiais penais desconfiaram da documentação no momento em que alguns presos já haviam sido chamados para assinar os termos de liberação.
A administração da unidade consultou a juíza Andreia Arco Verde e o juiz Carlos Neves, da Vara de Execuções Penais, cujos nomes constavam nos documentos. Ambos os magistrados confirmaram que os alvarás eram fraudulentos. A suspeita inicial é que os documentos tenham sido enviados via Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Lideranças Identificadas
Entre os beneficiários da fraude estão chefes de organizações como o Comando Vermelho, Nova Okaida e Bonde do Cangaço. Francinaldo Barbosa, conhecido como “Vaqueirinho”, é apontado pelo sistema prisional como o atual “presidente” da Nova Okaida e possui condenação superior a 27 anos de reclusão.
Outro envolvido é Samuel Mariano da Silva, o “Samuca”, fundador do Bonde do Cangaço, com penas que somam 36 anos. Ele é aliado ao Comando Vermelho para disputas territoriais. Seu braço direito, Célio Luis Marinho, o “Celio Guará”, também consta na lista de detentos que seriam soltos ilegalmente.
O grupo inclui ainda Diego Alexandro dos Santos, o “Baiola”, conselheiro do Comando Vermelho na Paraíba, e Clodoberto da Silva, o “Betinho”, braço direito de Baiola. Completam a lista João Batista da Silva, o “Junior Pitoco”, e Vinícius Barbosa de Lima, o “Vini”, este último integrante da facção no Rio Grande do Norte.
Investigação e Tecnologia
De acordo com o secretário de administração penitenciária da Paraíba, Tércio Chaves, o estado registrou 13 tentativas de fuga por fraude documental desde dezembro. Em entrevista, o secretário destacou o nível de sofisticação dos documentos, sugerindo o uso de ferramentas de inteligência artificial para mimetizar a veracidade dos alvarás expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.
A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap-PB) abriu um procedimento interno para apurar a responsabilidade disciplinar dos presos. O caso foi encaminhado à Polícia Civil para identificação dos autores da falsificação e apuração de crimes relacionados. Até o momento, as defesas dos citados não se manifestaram sobre o caso.
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