A expansão da inteligência artificial (IA) nos negócios está gerando resultados financeiros tangíveis, especialmente no setor bancário e no desenvolvimento de softwares. Estimativas do Boston Consulting Group (BCG) indicam que bancos de varejo podem somar US$ 370 bilhões em lucros anuais adicionais até 2030 através da implementação da tecnologia em larga escala.
Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reforçam a tendência de otimização. Segundo a entidade, 74% das instituições financeiras relataram redução de custos e ganho de eficiência operacional como os principais benefícios da adoção da IA.
Eficiência no setor financeiro
O Nubank exemplificou o impacto da tecnologia em seus resultados do primeiro trimestre deste ano. O índice de eficiência operacional da instituição caiu para 17,6%, ante os 21,4% registrados no mesmo período do ano anterior, marcando o menor nível já apurado pela empresa.
Embora as despesas operacionais do Nubank tenham subido 41%, somando US$ 648 milhões, o crescimento da receita foi superior, atingindo 42%. O indicador de eficiência mede quanto a empresa gasta para cada real de receita líquida gerada; portanto, quanto menor o percentual, melhor o desempenho.
No início deste mês, o Inter também anunciou avanços com o lançamento da Seven, sua assistente de inteligência artificial. A ferramenta permite que o cliente tenha mais autonomia na gestão financeira, incorporando agentes capazes de executar tarefas integradas diretamente no aplicativo.
Expansão e gargalos em outros mercados
Para além das finanças, a IA tem transformado a velocidade de produção em startups. Liuri Loami, CTO da Jumpstart, afirma que 95% dos códigos de programação da empresa são escritos por IA, o que elevou a velocidade de construção de software em dez vezes nos últimos quatro anos.
“Nosso trabalho mudou muito, de forma que agora a gente tem que coordenar cerca de cinco IAs, implementando cinco possibilidades diferentes ao mesmo tempo, boa parte de forma autônoma”, explica Liuri Loami.
Apesar do avanço, a falta de acesso a dados internos ainda limita o uso da IA em aplicações reais para muitas empresas. A startup Tropicalia busca resolver esse problema conectando agentes de IA a documentos e ferramentas internas de negócios.
“A maioria dos agentes de IA ainda opera sem acesso aos dados que realmente importam. Nosso objetivo é fechar essa lacuna de forma simples e escalável”, afirma Arthur Guttilla, CEO da Tropicalia.
Um levantamento realizado pelo Sebrae com o FGV Ibre mostra que a adoção da tecnologia varia conforme o porte da empresa. Enquanto 63% das médias e grandes empresas utilizam ferramentas de IA, o índice cai para 46% entre pequenas empresas e 42% entre Microempreendedores Individuais (MEIs).
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