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Filhos de Bolsonaro e Mário Frias apresentam versões conflitantes sobre financiamento milionário de Daniel Vorcaro

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Filhos de Bolsonaro e Mário Frias apresentam versões conflitantes sobre financiamento milionário de Daniel Vorcaro
Foto: G1 Política

Mensagens e documentos obtidos pelo site Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo revelam uma série de contradições nas declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado Mário Frias (PL-SP). O centro do impasse é o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As investigações apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comprometeu-se a repassar R$ 134 milhões para a produção. Desse total, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido pagos, contrariando versões iniciais dadas pelos envolvidos sobre a origem e a gestão dos recursos.

Detalhes das contradições de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato à presidência, apresentou versões distintas sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Inicialmente, o parlamentar tentou vincular o escândalo do Banco Master ao governo atual e ao PT, chegando a utilizar vestimentas com dizeres que distanciavam sua família do banqueiro. Ele afirmou publicamente que nunca teve contato com o empresário.

No entanto, diálogos divulgados mostram uma relação frequente, na qual o senador tratava Daniel Vorcaro por termos como “irmão” e “irmãozinho”. Em um áudio de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro cobrava parcelas atrasadas do financiamento, alegando que a produção estava em momento decisivo. Após a exposição das mensagens, o senador admitiu ter mentido, justificando que o sigilo era uma imposição de uma cláusula de confidencialidade contratual.

“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Globonews.

Outro ponto de divergência reside na natureza do relacionamento. Enquanto o senador classificou o contato como “estritamente profissional”, as mensagens indicam a organização de jantares entre as partes. Flávio Bolsonaro também alegou desconhecer suspeitas contra o banqueiro na época das negociações, embora seu pai, Jair Bolsonaro, já tivesse feito críticas públicas ao Banco Master meses antes.

O papel de Eduardo Bolsonaro e Mário Frias

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro também alterou sua versão sobre o projeto. Inicialmente, ele afirmou que sua única participação foi a indicação de um advogado para a estruturação financeira. Contudo, um contrato revelado recentemente o aponta formalmente como produtor-executivo, responsável inclusive pela captação de recursos. Após a divulgação do documento, o parlamentar admitiu ter assinado o contrato.

A Polícia Federal investiga se o financiamento do filme serviu como fachada para transferências de valores destinados à manutenção de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os investigadores buscam confirmar se os R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro foram integralmente aplicados na obra audiovisual ou se houve desvio de finalidade para despesas pessoais.

Já o deputado Mário Frias, que atua como produtor executivo do longa, afirmou inicialmente que não havia “um único centavo” do dono do Banco Master no projeto. No dia seguinte, Mário Frias recuou, explicando que o relacionamento jurídico ocorria por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa que operava em parceria com o grupo de Daniel Vorcaro.

Contexto das investigações

O caso ganha relevância devido à situação jurídica de Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília. Ele é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode atingir a cifra de R$ 12 bilhões. O Banco Central já havia emitido alertas sobre operações ligadas ao grupo econômico do banqueiro antes do encerramento das negociações para o filme.

O montante de R$ 61 milhões já aportado no projeto “Dark Horse” supera significativamente orçamentos de grandes produções nacionais. Como comparação, o filme “O Agente Secreto”, representante brasileiro no Oscar 2026, teve um custo de R$ 28 milhões. O Senado Federal acompanhava discussões sobre o Banco Master enquanto as transações para a cinebiografia ainda estavam em curso.

📰 Fonte: G1 Política — Leia a matéria original no veículo de origem.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.