Uma explosão provocada por vazamento de gás resultou na morte de duas pessoas e deixou três feridos na Rua Piraúba, no bairro do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. O incidente ocorreu por volta das 16h da última segunda-feira (11), durante uma obra que atingiu a tubulação de gás, afetando 105 residências em um raio de destruição de aproximadamente 2 mil metros quadrados.
A onda de choque foi suficiente para destruir casas e estilhaçar janelas de edifícios em todo o quarteirão. Imagens registradas momentos antes da explosão mostram funcionários terceirizados da Sabesp operando nas tubulações de água e esgoto da via. Entre as vítimas fatais, o vigilante Alex Sandro Nunes morreu no local, enquanto Francisco Albino, de 62 anos, faleceu na quinta-feira (14) após ser atingido enquanto descansava em sua residência.
Relatos dos Sobreviventes
O pedreiro Osmar Braz, um dos feridos, foi arremessado pela janela de seu imóvel devido ao impacto. Em depoimento, ele descreveu o cenário de horror após a queda na rua.
“Foi muito alto mesmo. Fez ‘bum’. Aí, ficou tudo em silêncio. Fui jogado de costas. Eu senti alguém me puxando dos pés, me jogando pra fora. Quando eu caí no chão, que eu olhei, vi aquele pó, vidro caindo, parede caindo. Tentei me levantar e caí de novo porque não conseguia sentir as pernas”
Osmar Braz fraturou duas vértebras e recebeu alta hospitalar recentemente. Outro morador, Carlos Henrique Moraes, ficou soterrado por cerca de 40 minutos antes de ser resgatado por vizinhos e pelo Corpo de Bombeiros. Ele e a namorada, Fernanda de Almeida, haviam concluído recentemente uma reforma de cinco anos no imóvel, que foi destruído.
Investigação e Perícia Técnica
A área permanece interditada pela Defesa Civil, que avalia quais imóveis serão condenados para demolição. Peritos do Instituto de Criminalística utilizam drones e scanners 3D para mapear a dinâmica do vazamento. Vídeos preliminares mostram bolhas em poças de lama na via antes da detonação, o que indica a fuga de gás do subsolo.
De acordo com Rodrigo Condotta, coordenador de Engenharia Química no FEI, o padrão de destruição sugere que o gás se concentrou na área externa.
“Provavelmente, foi uma grande quantidade de gás que entrou em combustão instantânea numa região externa. O que nós vimos são andares inteiros do edifício com as janelas quebradas, indicando uma nuvem com inflamabilidade considerável”
Contradições e Auxílio às Famílias
Há divergências entre os relatos de moradores e a versão oficial da concessionária. Osmar Braz afirma ter questionado um operário sobre o cheiro de gás e recebeu a orientação de não acender luzes, mas nega que tenha havido um pedido de evacuação. Por outro lado, Samanta Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Sabesp, declarou que os funcionários acionaram o protocolo de segurança e pediram que a população deixasse o local.
As empresas Sabesp e Comgás serão responsáveis por arcar com um auxílio emergencial de R$ 5 mil e os custos de moradia das famílias atingidas. O governo estadual ofereceu opções de habitação definitiva, incluindo mudança para conjuntos habitacionais ou cartas de crédito para a compra de novos imóveis. O caso segue sob investigação das autoridades competentes.
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