A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente. A ação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Ao todo, a Justiça autorizou seis prisões preventivas e o bloqueio de ativos financeiros que superam R$ 327 milhões.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, Deolane Bezerra integraria a “nova face” da facção, atuando na arquitetura financeira e ocultação de valores desde 2022. Embora não seja considerada um membro “batizado”, a investigação aponta que contas particulares da advogada foram utilizadas ilegalmente para movimentar recursos do grupo criminoso. Registros indicam ainda a proximidade da influenciadora com familiares de lideranças da organização.
Alvos e Estrutura Investigada
Além de Deolane Bezerra, detida em Barueri, a operação expediu mandados contra Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do esquema. Também figuram na lista de investigados Marcos Willians ‘Marcola’ Herbas Camacho e seu irmão, Alejandro Camacho, ambos já custodiados em presídios federais.
Outros parentes de Marcola são considerados foragidos: a sobrinha Paloma Sanches Herbas Camacho, supostamente localizada na Bolívia, e o sobrinho Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que estaria em Madri. Os nomes dos dois últimos foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol para captura internacional.
Movimentações Milionárias e Apreensões
O inquérito destaca movimentações financeiras consideradas discrepantes pela Polícia Civil. Giliard Vidal dos Santos, filho de Deolane, teria movimentado mais de R$ 11 milhões entre julho de 2022 e maio de 2024, apesar de não possuir ocupação formal consolidada. Em 2023, o jovem movimentou R$ 6 milhões, enquanto declarava rendimentos de apenas R$ 32.900,00.
Durante as diligências, foram sequestrados 17 veículos de luxo avaliados em R$ 8 milhões. Quatro desses automóveis pertencem à influenciadora: uma Range Rover, um Escalade, um Jeep Limited e um Mercedes-AMG. A investigação também identificou a empresa Lopes Lemos Transportes como um dos instrumentos utilizados para a lavagem de capitais.
Histórico e Defesa
A investigação teve origem em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Posteriormente, a Operação Lado a Lado revelou comprovantes bancários que conectariam Deolane Bezerra a Everton de Souza. Atualmente, a advogada está detida na Penitenciária Feminina de Sant’Ana e deve ser transferida para Tupi Paulista.
Em nota, a defesa de Deolane Bezerra afirmou sua “mais absoluta inocência” e classificou as medidas como desproporcionais. A irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, declarou que a prisão é fruto de perseguição e carece de provas concretas. O advogado de Marcos Willians Herbas Camacho, Bruno Ferullo, também se manifestou negando as irregularidades apontadas pelo Ministério Público.
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