O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) oficializou sua pré-candidatura ao Governo do Ceará para as eleições de 2026 neste sábado (16). O anúncio ocorreu durante evento político no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, onde o líder tucano confirmou a intenção de compor chapa com o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) na vice-governadoria. A definição marca o retorno de Ciro à disputa estadual após décadas de foco no cenário federal.
Alianças e Estrutura de Campanha
Durante o ato no Centro Educacional Evandro Ayres de Moura, Ciro Gomes revelou que a articulação política para o pleito inclui o apoio de diversas legendas de oposição. O ex-ministro indicou que o Capitão Wagner (União Brasil) deve disputar uma vaga no Senado Federal, enquanto o Pastor Alcides é o nome apontado pelo PL para a segunda cadeira na Casa Alta. A equipe técnica já foi definida: o deputado federal Mauro Filho será o responsável pelo programa de governo e o publicitário João Santana assumirá o marketing.
O ex-senador Tasso Jereissati, presente no evento, reforçou que Ciro recusou um convite formal da presidência nacional do PSDB para concorrer novamente à Presidência da República. Segundo Tasso, o pré-candidato optou por priorizar a política cearense. Em sua fala, Ciro justificou a aliança com o PL, apesar de divergências passadas com nomes como André Fernandes, citando a urgência de resolver o que classificou como “colapso do estado” em áreas críticas.
“Nós entendemos que a emergência do colapso do estado do Ceará em matéria de segurança pública, em matéria de corrupção, em matéria de desmonte da saúde pública, em matéria de colapso do desenvolvimento, permitem sem nenhuma dificuldade uma aliança”, afirmou Ciro Gomes.
Críticas à Gestão Estadual e ao Judiciário
O discurso do pré-candidato foi pautado por críticas severas à atual administração do Ceará. Ciro enfatizou a crise na segurança pública, alegando que facções criminosas dominam o território e que o efetivo de delegados não sofre reajuste há dez anos. Na área da saúde, o político afirmou estar estudando soluções para os problemas estruturais enfrentados pela população. Ele descreveu os atuais governantes como “frouxos” e disse que sua candidatura nasceu da necessidade de unir derrotados em eleições anteriores contra o grupo governista.
Além das questões estaduais, Ciro Gomes também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que seus candidatos ao Senado têm autonomia, mas estão comprometidos em opor resistência ao que chamou de “nível de abuso” praticado por uma fração da Corte. Questionado sobre dividir palanque com Flávio Bolsonaro devido a ligações com o sistema financeiro, Ciro minimizou o tema, afirmando que o verdadeiro escândalo reside no pagamento de precatórias ao Banco Master.
Contexto Político e Histórico
Esta será a segunda vez que Ciro Gomes concorre ao Governo do Ceará; a primeira foi em 1990, quando saiu vitorioso. Sua trajetória inclui passagens como prefeito de Fortaleza, ministro da Fazenda de Itamar Franco e ministro da Integração Nacional de Lula. O pleito de 2026 deve colocá-lo em confronto direto com o grupo político liderado pelo senador Camilo Santana (PT) e pelo seu próprio irmão, Cid Gomes (PSB), com quem rompeu em 2022.
O racha familiar e político teve início quando Ciro insistiu na candidatura de Roberto Cláudio ao governo em 2022, contrariando a ala que defendia a continuidade da aliança com o PT. Naquela ocasião, Elmano de Freitas (PT) foi eleito em primeiro turno. Agora, a pré-candidatura de Ciro busca retomar o controle do estado, enfrentando o atual governador Elmano de Freitas, que poderá disputar a reeleição. A confirmação oficial da chapa de Ciro ocorrerá nas convenções partidárias previstas para agosto de 2026.
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