Transtorno Dismórfico Muscular: os riscos da obsessão patológica pela hipertrofia
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A vigorexia, clinicamente denominada Transtorno Dismórfico Muscular, caracteriza-se pela preocupação excessiva com a forma física e uma percepção distorcida do próprio corpo. O indivíduo acometido enxerga-se como magro ou fraco, mesmo quando já possui uma musculatura significativamente desenvolvida e acima da média.
Essa condição assemelha-se à anorexia nervosa, porém com um viés inverso. Enquanto na anorexia o paciente se percebe acima do peso mesmo estando abaixo do ideal, na vigorexia a pessoa acredita que nunca atingiu o volume muscular suficiente, estabelecendo metas inalcançáveis.
Impactos no comportamento e na saúde
Segundo o psicólogo Alexander Bez, o transtorno está diretamente associado a padrões de comportamento compulsivos e inflexíveis. A prática de exercícios físicos torna-se exagerada, muitas vezes desrespeitando os limites fisiológicos e resultando em lesões graves.
Além da preocupação excessiva com a aparência, a vigorexia está associada a padrões de comportamento compulsivos. A prática de exercícios físicos se torna exagerada e inflexível, sem respeito pelos limites do corpo, levando a lesões e ao comprometimento da saúde
, explica Bez.
A rotina alimentar também sofre alterações rígidas, onde o medo de prejudicar os ganhos musculares impede qualquer variação na dieta. Esse isolamento social ocorre porque o indivíduo passa a evitar eventos, encontros ou viagens que possam interferir no seu cronograma de treino ou alimentação restritiva.
Sinais de alerta e diagnóstico
Os principais sintomas incluem a insatisfação constante com o espelho, treinos compulsivos e o uso de substâncias ilícitas, como esteroides anabolizantes. O foco excessivo na musculação frequentemente prejudica a vida profissional e as relações interpessoais, gerando quadros de ansiedade e depressão.
O diagnóstico da vigorexia é clínico, realizado por médicos psiquiatras ou psicólogos. A psicóloga Mariane Pires Marchetti destaca que o paciente raramente percebe o transtorno por conta própria, buscando auxílio apenas quando surgem complicações como fadiga crônica ou problemas decorrentes do uso de substâncias.
Muitas vezes, o paciente não percebe que tem um transtorno e só busca ajuda quando já está enfrentando consequências físicas, como lesões frequentes, fadiga crônica e complicações associadas ao uso de substâncias
, afirma Marchetti.
Tratamento e recuperação
A recuperação exige uma abordagem multidisciplinar para estabilizar a saúde mental e física do paciente. O protocolo geralmente inclui psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, orientação nutricional e monitoramento especializado de treinos.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a ferramenta principal para reformular a relação do indivíduo com sua imagem. Em casos de comorbidades, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o suporte medicamentoso pode ser necessário para reduzir a angústia e a irritabilidade associadas à rotina obsessiva.
O objetivo final das intervenções, conforme reforçado por Mariane Pires Marchetti e profissionais consultados pela CNN Brasil, é restaurar o equilíbrio. Busca-se promover um estilo de vida saudável que não comprometa o bem-estar emocional nem a integridade física do indivíduo.
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