URGENTE
Últimas Notícias

Shirley Black fala sobre inspirações, ancestralidade e arte

Compartilhar:

Este é o primeiro album da sua carreira? O nome do show é o mesmo nome do álbum?  O que esse nome representa neste momento da sua vida e carreira?

Esse é o primeiro álbum da minha carreira e o nome do show é o mesmo nome do álbum. Respirar tem um significado muito importante pra mim, porque sou mãe de duas crianças, e passei por um processo, né? Em 2020 fiz meu primeiro show, no Cine Teatro, ainda não era o “Respirar”. Fiz esse show, veio pandemia e acabou pra mim. Aí, em 2022, eu entrei pra faculdade, em 2023, com a faculdade, os amigos, nós formamos esse show, que se chamou “Respirar” e foi a minha volta. O primeiro show teve um significado de termos acabado de sair de uma pandemia. Agora, o meu “Respirar” é diferente, porque tenho duas crianças, sou mãe, tive uma pausa no trabalho também. A motivação foi a minha filha, especialmente, a última gestação, que foi uma volta para mim, porque a primeira gestação foi durante a pandemia e foi um momento de pausa total. “Respirar” hoje vai muito além, vai no encontro comigo mesma, porque precisei me reencontrar, pois havia me perdido na pandemia. Respirar é o meu encontro comigo mesma, autoconhecimento, é a minha representatividade, é o lugar que eu quero estar, com as pessoas, o lugar que quero estar.

Quantas músicas tem no álbum, gostaria de citar o nome de algumas e falar sobre elas?
Esse álbum tem sete músicas e é o primeiro álbum totalmente autoral. Temos, dentre as músicas, “Rainha do Black”, que é, pra mim, uma das minhas músicas mais extraordinárias, porque eu falo sobre o meu poder mesmo, que eu sou uma rainha, que eu sou livre, eu quero brilhar, sabe? Quero ser inteira, viver a minha maneira. Então, é a minha liberdade de me expressar, de ser quem eu sou, da pessoa, muitas vezes, me chamar de louca e realmente eu não sou louca, eu sou eu, simplesmente eu sou eu. Rainha do Black tem que fechar com a chave de ouro, porque é uma das músicas mais importantes. Não que as outras não sejam, mas é algo que fala muito de mim, sabe? O meu eu, de olhar pra dentro de mim, assim, e eu escrever tudo aquilo que tá escrito ali, eu olhei pra dentro de mim e escrevi. E a letra da canção era outra, eu fui mudando e consegui chegar até onde queria chegar e ela me emociona muito mesmo.

De que maneira a sonoridade do Soul e do Jazz traduz o alívio, a cura ou a expressão que busca provocar no público?
Foi muito importante! O que é essa saúde? É saúde mental. Primeiramente, eu precisei ter saúde mental, precisei ter paciência pra aceitar o meu processo, pra daí eu mostrar o que realmente era o Respirar.  Por isso, o que respirar fala é de saúde e paciência, para ter esse encontro comigo e simplesmente respirar, porque tudo que eu precisava era respirar, bem no sentido mesmo de respirar mesmo, porque a minha vida é um turbilhão de coisas, trabalhar o dia inteiro, estudava à noite, duas crianças para dar atenção, chegar em casa, ter que fazer serviço, nem eu sei como eu dei conta de tudo isso. Mas esse processo foi muito importante. Sempre me encontrei entre o soul, entre o jazz, entre o blues. É algo que me traz no meu lugar, sabe, de encontro, de ancestralidade, então pra mim é um encontro ancestral que eu tenho, e você colocou muito bem, traduz a livre cura e a expressão, porque realmente é tudo isso que eu sinto através da música soul, através do jazz, através do blues, da canção africana, ainda que hoje eu não traga a canção africana nesse álbum. Esses estilos musicais para mim são a minha ancestralidade. O Respirar representa saúde e paciência.

Como sua trajetória em Mato Grosso e a valorização da cultura negra atravessam a estética e a mensagem desse espetáculo?
Eu estou há mais ou menos 19 anos atuando na música. Comecei na igreja e fiquei durante cinco anos mais ou menos na igreja e depois começaram os shows, as apresentações. A valorização da cultura negra na minha trajetória durante esses 19 anos na música é muito importante, porque durante esse processo eu fui tendo experiências que me trouxeram nesse lugar. Uma das experiências foi ter conhecido uma africana lá de Moçambique que que eu pude fazer um curso com ela e aí eu conheci um pouco da cultura, um pouquinho das músicas, das letras, do que elas representam. Foi muito importante nesse processo, a construção da estética do meu trabalho, do que me representa, do que me sinto bem cantando. Não sabia muito bem o que eu cantava, passei durante um tempo meio perdida, sem saber qual estilo seria, como me encontraria através da música, a pessoa ouvir a minha música e falar “nossa, a Shirley tá cantando aquele estilo”. O que fez parte desse processo, foi um encontro com essa pessoa, ela foi muito importante para minha vida. 

Você atua na música, no teatro e na arte das tranças e da beleza. Como essas diferentes linguagens se encontram em palco?
Eu atuo na música, no teatro, já fiz teatro musical, no balé, trabalho com as tranças e acho que essas linguagens se encontram muito bem, porque tudo isso é artístico. Há tanto as tranças, quanto a música, quanto o teatro e é a forma de eu lidar com a arte. Como não consigo viver só da música e só do teatro, as tranças me trazem para um plano ancestral, de me encontrar com meus ancestrais, através de cada pessoa que auxilio nessa estética, que é também uma forma de representatividade. Gosto muito de me comunicar com as pessoas e ali, para mim, é terapêutico. Me traz esse lugar de terapia, de encontrar com a minha ancestralidade e de mostrar isso, o meu trabalho para as pessoas, que eu encontro e que conheço. É um trabalho terapêutico e ancestral ao mesmo tempo. A terapia trabalha junto com a música e com as tranças, porque o cabelo para a mulher é muito importante, até para o seu humor, o seu encontro consigo mesmo. Muitas mulheres e homens, mas principalmente as mulheres, têm uma representatividade, que é incrível. Quando ela senta lá na cadeira e faz as tranças, é algo que ela se representa. Tem esse lugar que essas linguagens se encontram.

O que o público pode esperar do espetáculo? E do álbum? Onde vai ser divulgado?
Em breve, o álbum estará nas plataformas digitais. O público pode esperar um espetáculo muito teatral, com muita interação. As músicas são tocantes, porque contam minha trajetória, durante esse processo de respirar do meu encontro. O álbum está emocionante, porque realmente conta a minha história.