Após debate entre candidatos ao governo, vereadora disse que senador teve fala vergonhosa e questionou atuação parlamentar
A vereadora Maysa Leão (Republicanos), nesta terça-feira (18) durante discurso na tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá, classificou como “escárnio” a fala do senador Wellington Fagundes (PL) sobre pessoas neurodivergentes feita no debate entre candidatos a governador.
Transmitido na Rádio Centro América e no Portal Primeira Página, o debate teve “atendimento à saúde mental” como um dos temas abordados. Fagundes, após ser questionado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), fez uma associação entre neurodivergência e dependência de drogas.
Maysa, que disse ter se sentido horrorizada pelo discurso de Fagundes, avaliou o desconhecimento como um dos motivos pelos quais faltam políticas públicas adequadas às pessoas com neurodivergência.
“O senhor dizendo sobre extinguir manicômio para proteger neurodivergente. Não tem assessoria? É uma vergonha eu, como parlamentar, assistir a esse escárnio. Eu fico horrorizada. É por isso que a gente não tem política pública”, criticou.
Além disso, a vereadora questionou a atuação do senador em prol das famílias atípicas e afirmou que ele não sabe o significado de uma Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
“Chega de colocar lacinho no peito, de falar que vai cuidar da família atípica. Neurodivergente não é drogado. APAE, senador, é filantrópica, cuida e faz política pública como escola especializada em MT, no Brasil, e o senhor sequer sabe o que é uma APAE”, pontuou.
Maysa, inclusive, perguntou qual foi a contribuição de Fagundes como parlamentar quando as mães atípicas se manifestaram em prol das leis assistenciais. Ela citou momentos marcantes e a ausência de Fagundes.
“Ele falou de gente viciada em droga. Achou que neurodivergente era adicto. Um cara que é senador. Foi no Senado que aprovamos o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 12.686, que rege a educação inclusiva neste país. Onde o senador estava? Teve a oportunidade de votar diversas pautas para os neurodivergentes. Onde o senador estava quando famílias estavam se amarrando na porta do Congresso Nacional para que as APAES, as [instituições] filantrópicas, as Pestalozzi não fossem fechadas, excluídas e proibidas neste país?”, questionou.
Por fim, a vereadora destacou que posicionamentos como o de Fagundes mostram como as pessoas com neurodivergência são viabilizadas em projetos políticos apenas nos anos eleitorais.
“Eu estava assistindo ao debate dos candidatos ao governo e fico chocada como a pauta da inclusão é usada. As famílias atípicas. Chegou a hora de a gente parar de ser usada, parar de ser importante só em época eleitoral”, completou.