Ministério Público solicita fiscalização do TCU sobre estratégia do governo contra o hantavírus

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O Ministério Público protocolou, nesta sexta-feira (8), um pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) adote uma medida cautelar e investigue as ações do Ministério da Saúde voltadas à contenção do hantavírus no país. A iniciativa busca garantir que a pasta federal execute estratégias eficazes para evitar a disseminação da zoonose, especialmente em regiões de fronteira.
A representação fundamenta-se em informações divulgadas pela CNN Brasil a respeito da confirmação de dois casos da doença no estado do Paraná. Atualmente, outras 11 ocorrências suspeitas permanecem sob investigação laboratorial pelas autoridades sanitárias locais.
Risco de Transmissão e Variante Andes
O pedido de urgência destaca que o Paraná possui proximidade geográfica com países andinos. Nessa região, circula o chamado “vírus Andes”, uma variante específica do hantavírus que possui potencial de transmissão direta de pessoa para pessoa, diferentemente das cepas mais comuns no território brasileiro.
O documento enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) também estabelece uma crítica à gestão de crises sanitárias anteriores. O texto menciona que houve “pouco caso” no enfrentamento inicial da pandemia de Covid-19, o que teria agravado a situação epidemiológica no país à época.
“Não é minha intenção alarmar a população brasileira acerca dessa doença, mas atitudes de pouco caso com a disseminação de vírus foram observadas à época da Covid-19, o que resultou em milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas caso medidas tempestivas e efetivas tivessem sido adotadas”, afirma o documento do Ministério Público.
Monitoramento no Paraná e Alerta Internacional
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmou os dois diagnósticos positivos recentemente. Além destes, 21 casos foram descartados após exames, enquanto o monitoramento de 11 pacientes continua. Um caso isolado também foi confirmado no município de Cruz Machado no início de 2025.
O cenário de alerta é reforçado por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Recentemente, a organização reportou casos e óbitos por hantavírus em um navio de cruzeiro que realizava o trajeto entre a Argentina e Cabo Verde, evidenciando a circulação ativa do patógeno na América do Sul.
Características da Doença
A hantavirose é classificada como uma zoonose viral aguda de notificação compulsória imediata ao Ministério da Saúde. A infecção ocorre majoritariamente pela inalação de partículas virais presentes em excrementos (urina e fezes) ou saliva de roedores silvestres infectados. Outras formas de contágio incluem o contato do vírus com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais.
Na fase inicial, o paciente apresenta febre, mialgia e dores de cabeça. Caso a doença evolua para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), podem surgir sintomas graves como dificuldade respiratória, tosse seca e hipotensão. Não existe um tratamento antiviral específico; o manejo clínico é baseado em suporte médico intensivo para estabilização dos sinais vitais.
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