Lula e Trump discutem reforma da ONU, acordo nuclear e comércio em Washington
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou nesta quinta-feira (5) os resultados de sua reunião de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro abordou uma pauta extensa que incluiu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, transição energética, segurança pública e relações comerciais.
Geopolítica e Acordos Internacionais
Lula afirmou ter entregue a Donald Trump o acordo nuclear de 2010 com o Irã, mediado à época por Brasil e Turquia. Questionado sobre o conflito no Oriente Médio, o brasileiro incentivou o republicano a ler o documento, que teria sido aceito por Trump para análise posterior.
Sobre a situação de Cuba, o presidente relatou que o republicano garantiu não ter intenção de invadir a ilha caribenha. Lula reforçou que o governo cubano busca diálogo para solucionar o embargo econômico imposto pelos americanos. A reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) também foi um ponto central, com Lula criticando o poder de veto dos membros permanentes e defendendo maior protagonismo brasileiro.
“Falei muito com ele sobre mudanças no Conselho da ONU, é preciso reformar a ONU. Eles são os membros permanentes, eles têm poder de veto. Nós somos coadjuvantes”, afirmou o presidente brasileiro.
Comércio, Tecnologia e Segurança
A pauta econômica contou com a participação dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento) e Wellington César Lima e Silva (Justiça). Foram discutidas tarifas comerciais, o mercado de minerais críticos (terras raras) e a balança comercial deficitária para o Brasil.
Durante o diálogo, participantes informaram que Donald Trump demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento do Pix e sobre o déficit comercial brasileiro em relação aos EUA. O ministro Mauro Vieira classificou o encontro como “muito produtivo”, destacando que novas áreas de cooperação foram abertas para os próximos meses.
No campo da segurança, Lula pautou temas considerados sensíveis, como o combate ao crime organizado e o tráfico de armas. O presidente ressaltou que parte do armamento que chega ilegalmente ao território brasileiro tem origem nos Estados Unidos, defendendo a soberania nacional e a democracia como pontos inegociáveis.
Clima e Diplomacia
Nas redes sociais, Donald Trump elogiou o encontro e chamou Lula de “muito dinâmico”. O brasileiro, por sua vez, afirmou acreditar que o americano “gosta do Brasil” e que a relação entre ambos é sincera. Lula também descartou qualquer possibilidade de interferência externa nas eleições brasileiras de outubro.
Em tom descontraído, o presidente brasileiro brincou sobre a Copa do Mundo, pedindo que o republicano não cancele vistos de jogadores brasileiros. A comitiva brasileira seguiu a orientação de falar apenas em português durante as negociações oficiais, mesmo os membros fluentes em inglês. Após o almoço na Casa Branca, a delegação seguiu para a embaixada brasileira em Washington para falar com a imprensa.
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