Delegações de Israel e do Líbano retomaram nesta sexta-feira (15) as negociações mediadas pelos Estados Unidos no Departamento de Estado, em Washington. O objetivo central do encontro é garantir a manutenção do frágil cessar-fogo entre os dois países, que tem previsão de expirar no próximo domingo (17). O primeiro dia de conversas durou oito horas e foi classificado como “produtivo e positivo” por autoridades americanas.
Esta terceira rodada de negociações em nível técnico apresenta delegações significativamente ampliadas em comparação aos encontros anteriores. Enquanto as reuniões passadas contavam apenas com embaixadores, a fase atual inclui especialistas militares e conselheiros de segurança nacional. A mediação é liderada pelo conselheiro do Departamento de Estado, Michael Needham, com participação dos embaixadores Mike Huckabee e Michel Issa.
Composição das Delegações
O presidente libanês Joseph Aoun enviou o ex-embaixador Simon Karam para integrar a representação de Beirute. Pelo lado israelense, o vice-conselheiro de segurança nacional, Yossi Draznin, lidera os debates técnicos ao lado de altos oficiais das Forças de Defesa de Israel. O governo libanês mantém sua participação nas conversas apesar da oposição direta do Hezbollah, grupo xiita fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estabeleceu o desarmamento do Hezbollah como uma exigência fundamental para a estabilidade regional. Por outro lado, o governo libanês, representado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, foca em três pilares: o reforço do cessar-fogo, o estabelecimento de um cronograma para a retirada total das tropas israelenses e a libertação de prisioneiros mantidos por Israel.
Contexto Militar e Humanitário
A guerra entre Israel e o Líbano ocorre paralelamente às tensões diplomáticas entre a Casa Branca, sob gestão de Donald Trump, e o Irã. Embora o presidente americano tenha declarado um cessar-fogo em 16 de abril, as hostilidades persistem. O Exército de Israel mantém tropas em uma zona de segurança no sul do Líbano, justificando a presença como necessária para impedir ataques de foguetes e drones contra o norte de seu território.
Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que 2.896 pessoas morreram desde 2 de março devido aos ataques israelenses, incluindo 589 mulheres, crianças e profissionais de saúde. Apenas na última quarta-feira, 22 óbitos foram registrados. Do lado israelense, o Exército confirmou a morte de 17 soldados no sul do Líbano e dois civis no norte do país. O conflito já forçou o deslocamento de cerca de 1,2 milhão de pessoas em território libanês.
Perspectivas de Acordo
O presidente Donald Trump, que sediou o último encontro entre embaixadores no Salão Oval, afirmou ver uma “grande chance” de um acordo de paz definitivo ser alcançado ainda este ano. Contudo, o presidente Joseph Aoun ressaltou que a prioridade imediata é a segurança:
O Líbano primeiro precisa garantir um acordo de segurança e o fim dos ataques israelenses, antes de levantarmos a questão de uma reunião entre nós [Aoun e Netanyahu].
As reuniões em Washington representam o contato de mais alto nível entre as duas nações em décadas. O governo iraniano, por sua vez, vinculou o fim do conflito no Líbano a exigências em um acordo diplomático mais amplo com os Estados Unidos.
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