Investigação da Polícia Federal revela esquema de influência entre Banco Master, BRB e cúpula política

 Investigação da Polícia Federal revela esquema de influência entre Banco Master, BRB e cúpula política

Foto: Metrópoles

A Polícia Federal investiga um complexo esquema de tráfico de influência e corrupção envolvendo o Banco Master, o Banco Regional de Brasília (BRB) e figuras centrais da política brasileira. Segundo as apurações, o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil, teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para atuar em favor dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo central seria a aprovação de uma emenda para elevar o teto de responsabilidade do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que permitiria maior margem para a venda de títulos sem lastro real.

Detalhes da Operação e Prisões

O epicentro do escândalo envolve a contaminação financeira entre o Banco Master e o BRB. Paulo Henrique Costa, que presidia o banco estatal do Distrito Federal, foi afastado do cargo e preso pela Polícia Federal. Costa, oriundo da Caixa Econômica Federal, é acusado de ignorar alertas do Banco Central do Brasil sobre os riscos de investir recursos no Banco Master, em uma gestão marcada por ações de marketing agressivas, como o patrocínio ao Flamengo.

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foi alvo de mandado de prisão expedido pelo Ministério da Justiça. A tentativa de detenção ocorreu enquanto o empresário tentava deixar o país em seu jato particular. A investigação aponta que a instituição financeira mantinha uma rede de contatos impetuosa na Praça dos Três Poderes, captando investimentos vultosos de fundos de pensão municipais. O caso mais crítico é o do instituto de previdência do Rio de Janeiro, que aportou R$ 970 milhões na instituição de Vorcaro.

Contexto e Conexões Políticas

O Banco Master estruturou um conselho consultivo composto por nomes de peso do cenário econômico e jurídico nacional. O atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ocupou um assento no colegiado entre agosto de 2023 e abril de 2024, após sua aposentadoria no Supremo Tribunal Federal. Durante esse período, foi auxiliado por seu filho, Enrique Lewandowski, e posteriormente por Viviane Bari.

Além de Lewandowski, o comitê contou com a presença de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e dos ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Gustavo Loyola. Relatórios indicam que Mantega teria intermediado uma audiência entre Daniel Vorcaro e o presidente Lula no Palácio do Planalto. Atualmente, o processo judicial está sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF, que tem mantido a linha de responsabilização rigorosa dos envolvidos, enquanto Paulo Henrique Costa sinaliza a possibilidade de uma delação premiada.

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