O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (14) que o uso de expressões informais em mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro não caracteriza uma relação de intimidade. Em entrevista concedida à GloboNews, o parlamentar e pré-candidato à Presidência da República justificou o vocabulário utilizado como parte do “linguajar carioca”.
O caso ganhou repercussão após o site Intercept Brasil divulgar áudios e textos, posteriormente confirmados pela TV Globo, nos quais o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro solicita recursos financeiros ao empresário. O objetivo das transferências seria o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre a trajetória de seu pai.
Detalhes das Transações
Segundo as informações apuradas, Daniel Vorcaro, que é o controlador do Banco Master, teria efetuado o pagamento de R$ 61 milhões para a produção do filme. Os repasses teriam ocorrido por intermédio da empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro. O nome da companhia aparece em diálogos entre o empresário e seu cunhado, Fabiano Zettel.
Nas mensagens interceptadas, os interlocutores utilizam termos como “mermão”, “irmão” e “irmãozão”. Flávio Bolsonaro alegou que tais palavras são comuns em diferentes contextos no Rio de Janeiro, comparando-as a expressões regionais de outros estados brasileiros.
“Irmão, mermão, é uma expressão que a gente usa para cumprimentar, até para pedir um coco na praia. É igual guri no Rio Grande do Sul, piá no Paraná, mano em São Paulo. Não tem por que querer empurrar goela abaixo uma intimidade que não tenho”
Contexto das Mensagens
As comunicações ocorreram em um período de instabilidade para os negócios do banqueiro. Em 8 de setembro de 2024, Flávio Bolsonaro enviou um áudio reconhecendo que Daniel Vorcaro atravessava um “momento dificílimo”. Dias antes, em 3 de setembro, o Banco Central havia rejeitado a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Mesmo diante do cenário adverso, o parlamentar do PL solicitou uma posição sobre parcelas atrasadas do projeto cinematográfico. O senador alegou preocupação com o andamento da obra, afirmando que a equipe estava “tensa” com as pendências financeiras. Muitas das interações foram realizadas por meio de recursos de visualização única em aplicativos de mensagens.
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