Flávio Bolsonaro cita possibilidade de governo de oito anos e gera contradição sobre reeleição
Foto: Infomoney
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou na última sexta-feira (8) que sua eventual gestão poderá durar até oito anos. A declaração, feita em Santa Catarina, diverge de posicionamentos anteriores do parlamentar, que defendia publicamente o fim da reeleição no Brasil.
O movimento ocorre após o senador iniciar, em fevereiro, uma estratégia para ampliar o diálogo com o Centrão e setores da direita, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante o evento, Flávio Bolsonaro projetou a duração de seu possível mandato ao lado de aliados políticos.
O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello], seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa’
Divergência sobre reeleição
Questionado sobre a fala no sábado (9), em Florianópolis, o senador negou contradição e afirmou que houve uma “distorção”. Embora tenha reiterado ser pessoalmente contrário ao instituto da reeleição, ele defendeu que o atual período de quatro anos é insuficiente para as necessidades administrativas do país.
Flávio Bolsonaro é o autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada em fevereiro que visa extinguir a reeleição para cargos do Executivo. A proposta sugere que o presidente ficaria inelegível para o mandato subsequente, sob a justificativa de que o modelo atual cria um “estado permanente de eleição”.
Alianças em Santa Catarina
A declaração ocorreu durante o lançamento da chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A composição política para as próximas disputas inclui o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) como nomes indicados para o Senado Federal, além do apoio de Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville.
Críticas ao STF
No mesmo evento, o senador criticou duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela suspensão da Lei da Dosimetria. Flávio Bolsonaro classificou a decisão monocrática como uma interferência no Poder Legislativo e acusou o ministro de atuar em conjunto com o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
Parece, mais uma vez, um jogo combinado; mais uma vez é a democracia que fica abalada. É uma decisão do Congresso Nacional que, numa canetada monocrática, o ministro do Supremo revoga
O parlamentar alegou que o texto aprovado no Congresso teria sido escrito pelo próprio ministro, o que teria limitado o debate sobre uma anistia mais ampla durante a tramitação legislativa.
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