Embrapa projeta fundo de R$ 1 bilhão para ampliar autonomia financeira em pesquisas

 Embrapa projeta fundo de R$ 1 bilhão para ampliar autonomia financeira em pesquisas

Imagem ilustrativa

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está implementando um novo modelo de financiamento que visa complementar o orçamento público com recursos da iniciativa privada. A estratégia, liderada pela presidente da estatal, Silvia Massruhá, inclui a criação de um fundo patrimonial com meta de captar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão no médio prazo.

O movimento busca garantir a continuidade das pesquisas agropecuárias mesmo em períodos de contingenciamento fiscal. Segundo dados da empresa, a captação de recursos privados atingiu R$ 150 milhões em 2025, o que representa uma alta de 80% em comparação aos R$ 85 milhões registrados em 2024. No início da gestão atual, em 2023, a média de captação era de R$ 65 milhões.

Estrutura de Financiamento e Royalties

Para reduzir a exposição direta ao Tesouro Nacional, a Embrapa fortaleceu o NIT (Núcleo de Inovação Tecnológica). Este mecanismo permite que a estatal receba royalties via fundação e reinvista os valores diretamente em pesquisa, impedindo que os recursos sejam utilizados para despesas operacionais rotineiras, como manutenção de infraestrutura.

A arrecadação por meio do NIT saltou de R$ 3,7 milhões em 2024 para R$ 12,6 milhões em 2025. A projeção da diretoria é alcançar R$ 30 milhões em 2026, integrando dez unidades da empresa ao sistema.

“A gente não pode só depender do orçamento público. Precisamos criar um modelo mais sustentável financeiramente para a Embrapa”

, afirmou Silvia Massruhá.

O fundo patrimonial planejado segue o modelo de universidades internacionais, onde o capital principal permanece preservado e apenas os rendimentos financiam editais. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) já manifestou interesse em aportar R$ 100 milhões na estrutura, dependendo da formatação final do fundo.

Impacto Econômico e Soberania

Apesar do avanço privado, a Embrapa reforça que o investimento estatal permanece indispensável para pesquisas de longo prazo e ciência básica. Silvia Massruhá destacou o trabalho da cientista Mariângela Hungria no desenvolvimento de bioinsumos como exemplo de inovação que exigiu décadas de suporte público antes de se tornar comercialmente viável.

O balanço social da estatal indica que o impacto econômico das tecnologias avaliadas em 2025 somou R$ 124 bilhões. O valor equivale a 17% do PIB agrícola brasileiro, estimado em R$ 725 bilhões para o mesmo período. Para cada R$ 1 investido nas 200 tecnologias monitoradas, o retorno para a sociedade foi de aproximadamente R$ 27.

A manutenção do caráter público da empresa é defendida como uma questão de soberania nacional. De acordo com a estatal, o Estado precisa assegurar o acesso à inovação para pequenos e médios produtores, que representam 77% do setor no país e dificilmente seriam atendidos exclusivamente pelo mercado privado.

📰 Fonte: CNN BrasilLeia a matéria original no veículo de origem.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.
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