O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta o maior desgaste de sua imagem nas redes sociais desde o início de sua trajetória política. Segundo dados do sistema Hórus, plataforma da AP Exata, as menções negativas ao parlamentar atingiram 64,3% nesta quinta-feira (14), após a divulgação de áudios envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A crise foi desencadeada por uma reportagem do The Intercept Brasil, que revelou negociações de aproximadamente R$ 134 milhões para o financiamento do filme "Dark Horse". A produção é uma cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Detalhes da negociação e impacto digital
Os índices de rejeição cresceram sete pontos percentuais após a revelação de mensagens e comprovantes bancários ligados à negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. De acordo com a denúncia, ao menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em operações ligadas ao projeto cinematográfico.
O levantamento aponta ainda que o índice de confiança no senador recuou para 13,7%, o menor patamar entre os presidenciáveis monitorados. Para o cientista de dados e CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, o caso atinge diretamente a bandeira da moralidade, ativo histórico do grupo político ligado ao Partido Liberal.
Reações políticas e cenário eleitoral
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), capitalizou o desgaste do senador e viu sua participação nas redes saltar para 24,3% do total de menções após críticas públicas ao parlamentar. Zema passou a ser apresentado como alternativa para eleitores de direita, embora enfrente resistências internas no partido Novo por sua postura no caso.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve estabilidade nos indicadores, com oscilação positiva de apenas 0,4 ponto percentual. Outros nomes como Renan Santos, do MBL (Movimento Brasil Livre), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também figuraram no monitoramento com volumes menores de engajamento.
Defesa e desdobramentos
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que o filme é custeado por investimento privado, sem uso de recursos públicos. O senador declarou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2024 e que as cobranças referiam-se a acordos de patrocínio firmados antes das suspeitas contra o empresário se tornarem públicas.
"Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável", afirmou o senador em nota.
O parlamentar defendeu a instalação de uma CPI para investigar o caso e rechaçou a hipótese de que recursos tenham sido usados para financiar despesas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Segundo a AP Exata, as explicações do senador acabaram por ampliar a repercussão do tema nas redes ao dar visibilidade a novas especulações.
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