O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira (15) que o governo de Teerã "não confia" nos Estados Unidos e só avançará em negociações se houver demonstração real de seriedade por parte de Washington. A declaração ocorreu em Nova Déli, durante a reunião de chanceleres do BRICS, enquanto os esforços diplomáticos para o fim das hostilidades permanecem paralisados.
Araqchi destacou que a circulação pelo Estreito de Ormuz está permitida apenas para embarcações que não estejam em conflito com o Irã. Segundo o diplomata, a situação na via navegável — que chegou a concentrar 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás — é considerada "muito complicada" e exige coordenação prévia com a Marinha iraniana.
Impasse nas negociações
As tratativas de paz, mediadas pelo Paquistão, estão suspensas desde que o Irã e os Estados Unidos rejeitaram as propostas mais recentes na semana passada. Abbas Araqchi justificou a cautela de Teerã citando "mensagens contraditórias" enviadas pelos americanos, o que teria colocado o processo de mediação em uma fase de dificuldade.
"O Irã está tentando manter o cessar-fogo para dar uma chance à diplomacia, mas também está preparado para retomar os combates", declarou o chanceler.
Os principais pontos de atrito que impedem um acordo permanente envolvem o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e as ambições nucleares do país. O Irã fechou a via para a maior parte do tráfego marítimo após o início do conflito com os Estados Unidos e Israel em fevereiro deste ano.
Pressão internacional
A fala do chanceler iraniano ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington. Recentemente, o presidente Donald Trump afirmou que sua paciência com o Irã está se esgotando. Em conversas com o presidente da China, Xi Jinping, o líder dos Estados Unidos obteve consenso sobre a necessidade de Teerã reabrir o estreito para o comércio global.
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