A Caixa Econômica Federal projeta que a inadimplência na carteira de agronegócio continuará a pressionar as provisões do banco ao longo de 2024. A afirmação foi feita pela vice-presidente de riscos da instituição, Henriete Sartori, durante coletiva de imprensa sobre o balanço financeiro do primeiro trimestre.
Nos primeiros três meses do ano, a Caixa destinou R$ 6,51 bilhões para provisões de créditos de liquidação duvidosa, um aumento de 21,7% em relação ao trimestre anterior. O índice de inadimplência total acima de 90 dias subiu para 3,71%, impulsionado majoritariamente pelo segmento rural.
Dados do setor rural
No segmento de crédito rural, a taxa de atrasos atingiu 18,29%, um salto considerável frente aos 14,09% registrados no quarto trimestre de 2023. Apesar da alta, Henriete Sartori destacou que o portfólio agro representa apenas 5% da carteira total da Caixa Econômica Federal.
A executiva ressaltou que o banco já observa sinais de melhora na tendência de crescimento dos calotes no campo.
O cenário não é simples, mas nós já percebemos um arrefecimento da curva de crescimento (da inadimplência) e de novas recuperações judiciais
, afirmou a vice-presidente.
Estratégia e outros segmentos
Para mitigar riscos futuros, a Caixa adotou um modelo de concessão de crédito mais rigoroso para o setor. A medida visa estabilizar a carteira diante da volatilidade enfrentada por produtores rurais nos últimos meses, conforme as diretrizes de governança monitoradas pelo Banco Central do Brasil.
Em contrapartida, a instituição informou que os níveis de atraso nos segmentos imobiliário e de crédito comercial (pessoa física e jurídica) permanecem estáveis. Segundo a gestão da Caixa, esses setores não apresentam indicadores que gerem preocupação no momento.
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