Na política, discursos conquistam manchetes. Mas são as escolhas que revelam convicções.
Durante anos, Wellington Fagundes buscou se apresentar como um dos representantes da direita em Mato Grosso, aproximando-se do eleitorado conservador e do bolsonarismo. Entretanto, sua decisão de escolher Alencar Farina como candidato a vice reabre uma discussão que nunca deixou de existir: afinal, quem é o verdadeiro Wellington Fagundes?
Farina não é um desconhecido. Sua trajetória política foi construída dentro do Partido dos Trabalhadores. Há registros públicos de sua atuação na legenda e fotografias que eternizaram sua participação em eventos petistas. Não se trata de uma acusação, mas de um fato documentado de sua trajetória política.
Para muitos eleitores de direita, a indicação soa como mais uma confirmação da velha pecha de “melancia”: verde por fora, vermelho por dentro. Afinal, quando chega o momento de tomar a decisão mais importante de uma campanha — a escolha do vice — Wellington não buscou um nome identificado com a direita conservadora. Preferiu alguém cuja história política está ligada justamente ao partido que o bolsonarismo aponta como seu principal adversário.
Na política, vice não é detalhe. Vice é mensagem. É confiança. É projeto de poder. Quem escolhe um vice escolhe também quem ajudará a governar e quais portas pretende abrir.
A pergunta que fica é inevitável: por que um senador que se apresenta como representante da direita escolheu justamente um ex-petista para dividir seu projeto de governo?
Os defensores da decisão dirão que alianças são necessárias. Mas, para muitos conservadores, há diferenças entre ampliar uma base política e abandonar a coerência ideológica.
O eleitor que combate o PT há anos dificilmente enxergará essa composição como um mero gesto administrativo. Para ele, a escolha representa um sinal político claro de que o pragmatismo eleitoral falou mais alto do que os princípios defendidos nos palanques.
No fim das contas, campanhas passam, discursos mudam e slogans são esquecidos. Mas as escolhas permanecem registradas na história. E, desta vez, Wellington Fagundes escolheu caminhar ao lado de alguém cuja identidade política foi construída dentro do PT.
Para quem sempre desconfiou da fama de “melancia”, a composição da chapa certamente servirá como mais um argumento para sustentar essa crítica. Afinal, na política, dificilmente existe decisão mais reveladora do que a escolha de quem estará ao seu lado quando o eleitor apertar o botão da urna.