STF investiga repasse de emendas para produtora de cinebiografia sobre Jair Bolsonaro

Foto: Agência Brasil
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenta intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A investigação apura se verbas públicas foram direcionadas a empresas ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A determinação judicial ocorre após denúncia da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa Mário Frias de destinar ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental Academia Nacional de Cultura (ANC). A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também comanda a Go Up Entertainment, responsável pela produção cinematográfica prevista para estrear em setembro de 2026.
Detalhes da Investigação
Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, oficiais de justiça tentaram intimar Mário Frias no gabinete da Câmara dos Deputados em três ocasiões entre março e abril. Assessores informaram que o parlamentar estaria em compromissos de campanha em São Paulo, sem fornecer detalhes da agenda.
Além de Mário Frias, a denúncia cita repasses feitos pelos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). A Academia Nacional de Cultura teria recebido um total de R$ 2,6 milhões de parlamentares do Partido Liberal (PL), conforme reportagem do site The Intercept Brasil. Tabata Amaral sustenta que a estrutura empresarial sob comando único dificulta a rastreabilidade do dinheiro público e pode financiar produções de cunho ideológico.
Em defesa apresentada ao STF, Marcos Pollon admitiu a destinação de R$ 1 milhão, mas afirmou que o recurso foi redirecionado para a saúde após a produtora não cumprir requisitos técnicos. Bia Kicis também confirmou a indicação de R$ 150 mil para uma série documental, negando qualquer conexão com o filme sobre Jair Bolsonaro. Ela classificou a petição como “maldosa” e defendeu que a escolha foi uma “decisão política pautada pela potencialidade de geração de valor”.
Envolvimento de Flávio Bolsonaro e Banco Master
Novas revelações indicam que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o aporte de R$ 134 milhões para custear a produção. Áudios divulgados mostram o senador cobrando repasses atrasados antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso”, afirmou Flávio Bolsonaro em mensagem gravada.
Mário Frias, que atua como roteirista e produtor executivo de “Dark Horse”, negou que o senador tenha participação societária na obra ou que o filme tenha recebido recursos do Banco Master. O deputado descreveu o projeto como uma “superprodução em padrão hollywoodiano” financiada integralmente por capital privado. Ele justificou o alto orçamento da obra, que supera os R$ 45 milhões do premiado “Ainda Estou Aqui”, pela qualidade técnica e elenco envolvido.
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