Justiça revoga prisão de MC Ryan SP e Raphael Sousa, da Choquei, em operação da PF

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O funkeiro MC Ryan SP e o proprietário da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, foram colocados em liberdade nesta quinta-feira (14). A soltura ocorre após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) acatar o pedido de revogação da prisão preventiva dos investigados.
A decisão estende aos artistas e influenciadores o habeas corpus anteriormente concedido ao empresário da Love Funk, Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como “Rato“. Além de Ryan e Raphael, o influenciador Chrys Dias, o cantor MC Poze do Rodo e Diogo Santos de Almeida também foram beneficiados pela medida judicial. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP-SP), as liberações ocorreram em diferentes unidades prisionais, incluindo o Centro de Detenção Provisória de Suzano.
Operação Narco Fluxo e lavagem de dinheiro
Todos os envolvidos foram presos preventivamente no âmbito da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano. A investigação apura uma organização criminosa suspeita de utilizar o mercado do entretenimento para lavar dinheiro do tráfico de drogas. O grupo teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos, com estimativas de que o fluxo total possa atingir R$ 260 bilhões.
O esquema funcionava através de um mecanismo denominado “escudo de conformidade”, onde celebridades e influenciadores usavam seu engajamento para naturalizar transações milionárias. A lavagem operava em três eixos: pulverização de valores em ingressos e ativos digitais, dissimulação via criptoativos e o uso de “laranjas” para ocultar os reais proprietários do capital.
Medidas cautelares e defesas
Apesar da soltura, o TRF-3 impôs restrições rigorosas aos investigados. MC Ryan SP e Diogo Santos de Almeida devem comparecer mensalmente em juízo, estão proibidos de deixar o país e tiveram seus passaportes retidos. Eles também não podem se ausentar de suas cidades de residência por mais de cinco dias sem autorização judicial prévia.
Nas redes sociais, MC Ryan SP negou qualquer envolvimento com o crime organizado.
“Não sou bandido, não sou faccionado, só quero cuidar da minha família e cantar funk”
, publicou o cantor. A defesa de Raphael Sousa Oliveira afirmou, em nota, que a investigação não atribui a ele papel de liderança e que sua relação com o caso decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários remunerados pela Choquei. A defesa de Chrys Dias ainda não foi localizada para posicionamento.
Apreensões e investigação
A Polícia Federal chegou aos nomes dos investigados após analisar o backup em nuvem de Rodrigo Morgado, apontado como o contador do esquema. Durante a operação, foram apreendidos R$ 20 milhões em bens, incluindo 55 veículos de luxo das marcas Porsche e BMW, armas, joias, relógios Rolex e uma réplica de carro de Fórmula 1 da McLaren.
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