As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) encerraram a sexta-feira com altas expressivas, atingindo cerca de 20 pontos-base nos vencimentos mais longos. O movimento foi motivado pela valorização acentuada dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo desconforto político no cenário doméstico.
No fechamento da sessão, a taxa do Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2028 estava em 14,14%, registrando alta de 16 pontos-base. Na ponta longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2035 alcançou 14,295%, com elevação de 18 pontos-base em relação ao ajuste anterior.
Cenário Externo e Petróleo
O mercado global reagiu à continuidade do conflito no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte. O cenário impulsionou os preços do petróleo Brent após o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar o esgotamento da paciência com o Irã.
Nesse contexto, os rendimentos das Treasuries subiram com a expectativa de juros elevados por mais tempo para conter a inflação. O rendimento do título de dez anos, referência global, avançou 14 pontos-base, atingindo 4,595%.
“O cenário continua sendo influenciado pelas preocupações inflacionárias, impulsionadas principalmente pelos preços mais elevados de energia”, afirmou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.
Fatores Políticos e Econômicos
No Brasil, a curva de juros encontrou suporte em denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o parlamentar teria negociado R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.
A percepção de agentes do mercado, consultados pela Reuters, é de que o desgaste da oposição eleva as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A continuidade da atual gestão é vista por investidores como um risco para o ajuste das contas públicas.
Em paralelo, a Polícia Federal cumpriu mandados contra o ex-governador Cláudio Castro em investigação sobre a refinaria Refit. No campo econômico, o IBGE informou que o volume de serviços no Brasil recuou 1,2% em março, resultado pior do que as expectativas de mercado, mas que acabou ficando em segundo plano diante da volatilidade política.
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