A Polícia Civil de São Paulo registrou uma nova denúncia contra o influenciador digital Jefferson de Souza, de 37 anos, acusado de utilizar Inteligência Artificial (IA) para sexualizar jovens evangélicas. Uma adolescente de 17 anos formalizou o boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Norte, tornando-se a segunda menor de idade a prestar queixa contra o investigado. O caso envolve a manipulação de fotografias reais para a criação de vídeos com tecnologia deepfake.
Detalhes das Acusações
A vítima relatou que suas imagens foram retiradas de redes sociais e transformadas em vídeos onde ela aparece dançando de forma sensual ao lado do apresentador Silvio Santos e de outras mulheres com roupas curtas. Segundo o registro policial, o conteúdo foi publicado nos perfis de Jefferson de Souza no Instagram, TikTok e YouTube. O caso foi tipificado como simulação de cena de sexo ou pornografia com adolescente, crime previsto no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Além das denúncias envolvendo menores, o influenciador é investigado por difamação contra vítimas adultas, todas ligadas à Congregação Cristã do Brasil (CCB). A investigação, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, apura o número total de mulheres atingidas pelas postagens. Jefferson de Souza, que reside em Lençóis Paulista, responde aos processos em liberdade.
Posicionamento da Defesa e Plataformas
O advogado Aguinaldo Ereno, que representa o influenciador, informou anteriormente que seu cliente admite a criação dos conteúdos, mas nega qualquer intenção criminosa. Em depoimento, Jefferson de Souza declarou que utilizava fotos de perfis públicos e afirmou desconhecer que algumas das retratadas eram menores de idade. Ele alegou que os vídeos tinham caráter de “humor” e visavam criticar vestimentas consideradas inadequadas em cultos religiosos.
“Pego a foto, as irmãs postando de costas, e jogo na IA. A IA faz dançar”, afirmou o influenciador em vídeo publicado em suas redes sociais.
A Congregação Cristã do Brasil (CCB) declarou apoiar a adoção de medidas legais cabíveis pelas autoridades. As plataformas digitais também se manifestaram: o TikTok afirmou ter política de tolerância zero à exploração sexual infantil, enquanto o YouTube removeu os vídeos que violavam suas diretrizes. A Meta, proprietária do Instagram, não comentou o caso específico até o momento.
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