O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta um desgaste inédito em sua imagem digital após a divulgação de áudios envolvendo negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo dados consolidados pela plataforma Hórus, da AP Exata, 64,3% das menções ao parlamentar nas redes sociais são negativas. Este é o pior índice registrado pelo monitoramento desde o início da pré-campanha do senador.
O volume de críticas cresceu sete pontos percentuais após a publicação de uma reportagem do Intercept Brasil. O texto revelou mensagens e comprovantes bancários sobre uma negociação de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, o índice de confiança no parlamentar recuou para 13,7%, o menor patamar entre os presidenciáveis monitorados.
Impacto Político e Reações
Para o cientista de dados e CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, a crise atinge um pilar central da estratégia bolsonarista.
O problema principal para a campanha bolsonarista é que o caso atinge diretamente a bandeira da moralidade, um ativo historicamente explorado por Jair Bolsonaro e por seus aliados
, avalia o especialista.
Apesar do desgaste, Flávio Bolsonaro liderou o volume de menções nas redes com 24,7% do total. Ele foi seguido de perto pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), que atingiu 24,3% após criticar publicamente o senador. O crescimento de Zema indica que ele passou a ser visto como alternativa por eleitores de direita decepcionados, embora tenha enfrentado resistência de alas do partido Novo em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
O monitoramento também incluiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que manteve indicadores estáveis com 18% das menções. Renan Santos, do MBL (Movimento Brasil Livre), registrou 12,6%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) obteve 9,8%.
Defesa e Proposta de CPI
Em resposta às acusações, Flávio Bolsonaro negou qualquer repasse irregular e afirmou que o contato com Daniel Vorcaro ocorreu antes de o empresário ser alvo de suspeitas públicas. O senador declarou que o filme foi financiado por investimento privado, sem uso de recursos públicos.
O parlamentar também defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Caso Master. Em nota, ele classificou as tentativas de associar sua imagem a irregularidades como uma “distorção política inaceitável”. No entanto, as explicações não contiveram a repercussão negativa, que seguiu em alta nas plataformas digitais.
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