CPFL projeta expansão via aquisições após garantir renovação de concessões por 30 anos

Foto: Infomoney
A CPFL Energia projeta atuar como um agente consolidador no mercado brasileiro de distribuição de energia após a assinatura da renovação de três contratos de concessão. Em declaração à agência Reuters, o CEO da companhia, Gustavo Estrella, afirmou que a garantia de continuidade operacional por mais 30 anos traz previsibilidade para a análise de novos ativos que possam ser colocados à venda no setor.
A companhia, controlada pelo grupo chinês State Grid, estabeleceu um plano de investimentos superior a R$ 25 bilhões para os próximos anos. O foco principal é o crescimento orgânico, visando a ampliação da base regulatória de ativos das concessionárias controladas pela holding.
Estratégia de Aquisições e Investimentos
De acordo com Gustavo Estrella, a escala atual do grupo permite a avaliação criteriosa de ativos disponíveis no mercado.
A escala a gente já tem, o que nos habilita a olhar qualquer tipo de ativo que venha a mercado. Isso posto, vamos olhar caso a caso… A gente se coloca, sim, como sendo um agente consolidador desse mercado
, declarou o executivo.
Um dos pilares do plano de modernização é a implementação da medição inteligente de consumo. Contudo, a CPFL defende junto à Aneel que esses aportes sejam reconhecidos anualmente nas tarifas de energia. Atualmente, a empresa alega que a falta de reconhecimento automático gera ineficiências, forçando a concentração de investimentos no final de cada ciclo tarifário.
Desempenho Financeiro e Riscos
No cenário financeiro, a CPFL reportou lucro líquido de R$ 1,91 bilhão no terceiro trimestre, representando um avanço de 18,2% na comparação anual. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) manteve-se estável no período, atingindo R$ 3,86 bilhões.
Para o horizonte de 2026, a gestão da CPFL observa com atenção o risco de aumento da inadimplência. O cenário é agravado pelo elevado endividamento das famílias e pelos recentes reajustes tarifários de dois dígitos aprovados para as distribuidoras do grupo, impulsionados pela alta nos encargos setoriais.
Geração Distribuída e Operação
Outro ponto de atenção mencionado por Estrella refere-se às irregularidades em sistemas de geração distribuída (GD) solar. A empresa identificou casos em que a potência instalada pelos clientes supera em até cinco vezes o projeto aprovado junto à concessionária, o que causa sobrecargas na rede e danos a equipamentos.
Muitas vezes a gente descobre por um problema que já aconteceu na rede, uma sobrecarga… Isso traz para a gente um desafio muito grande, com prejuízo de qualidade, prejuízo de queima de equipamento
, explicou o CEO. A Aneel iniciou processos no último mês para combater essas ampliações irregulares, visando mitigar riscos à integridade do sistema elétrico nacional.
Conteúdo elaborado por Universo Notícia com base no texto completo da fonte.




