Centenário da jornada de 40 horas: como a Ford revolucionou o modelo de trabalho nos EUA
Foto: Agência Brasil
Em maio de 1926, a montadora Ford implementou a jornada de trabalho de 40 horas semanais em suas fábricas nos Estados Unidos. A medida, adotada de forma voluntária pela empresa na época, substituiu a escala de seis dias de trabalho e tornou-se o pilar do modelo industrial conhecido como fordismo.
Detalhes da Transição
A decisão de Henry Ford visava atrair mão de obra qualificada de outros setores e elevar a produtividade por meio de trabalhadores menos desgastados. Além disso, o empresário acreditava que o tempo livre impulsionaria a economia através do consumo. Antes da mudança, a média de trabalho no país era de 60 horas semanais no início do século XX, caindo para 50 horas na década de 1920.
A consolidação legal desse padrão ocorreu 14 anos depois, em 1940, com a alteração da Fair Labor Standards Act (Lei de Normas Justas de Trabalho). A legislação, criada originalmente em 1938, estabeleceu o limite de 40 horas e a obrigatoriedade do pagamento de 50% de adicional para horas extras.
Pressão Sindical e Contexto Histórico
Embora a iniciativa da Ford tenha sido um marco, historiadores destacam que a redução da jornada foi fruto de décadas de mobilização operária. Segundo Antonio Luigi Negro, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), os sindicatos lutavam pelo lema:
“Oito horas para o trabalho, oito horas para o descanso, oito horas para o que quisermos”
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O economista Robert M. Whaples, da Universidade Wake Forest, aponta que a demanda por menos horas foi o estopim para a fundação da Federação Americana do Trabalho nos anos 1880. Whaples ressalta que, em 1927, pelo menos 262 grandes empresas já haviam aderido à semana de cinco dias, influenciadas pelo movimento da Ford, que empregava mais da metade dos trabalhadores sob esse regime na época.
Apesar do papel histórico, Antonio Luigi Negro pondera que Henry Ford era hostil aos sindicatos. A estratégia da empresa incluía a contratação de trabalhadores de diferentes origens e idiomas para dificultar a união operária, além de utilizar vigilância para coibir movimentos reivindicatórios.
Cenário Atual e Reflexos no Brasil
Dados do Departamento de estatísticas do trabalho nos EUA indicam que a jornada média no país foi de 34,3 horas semanais em abril de 2026. O setor de mineração registra as maiores médias (45,5 horas), enquanto o setor de lazer e hotelaria apresenta as menores (25,5 horas).
No Brasil, o debate sobre a redução da carga horária avançou com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1. O governo federal e lideranças da Câmara dos Deputados articulam a transição para 40 horas semanais e dois dias de descanso. A votação da proposta na Comissão Especial está prevista para o dia 27 de maio.
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